O secretário de Saúde de Belo Horizonte, Jackson Machado Pinto, afirmou que a cidade deixou de receber cerca de 50 mil doses da vacina contra a Covid-19 na última remessa enviada pelo governo de Minas. Segundo o gestor, o déficit impediu a ampliação da imunização para pessoas de 53, 54 e 55 anos, ainda nesta semana.

"50 mil pessoas deixaram de ser vacinadas e não resta dúvida de que isso foi por uso político da vacina. Nesta semana, provavelmente, não conseguiremos incorporar nenhuma faixa etária ao que estamos vacinando", afirmou, durante coletiva na tarde desta terça-feira (15), na sede da PBH. 

A Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) foi procurada para falar sobre o assunto, mas ainda não respondeu. Essa reportagem será atualizada após o retorno. 

Mais cedo, também durante coletiva, o secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, informou que na semana passada, quando foi distribuída a remessa para comorbidades, "vários municípios estavam com 7%, 8%, enquanto Belo Horizonte estava com 12%. Por isso, recebeu uma quantidade menor de vacinas".

Segundo Jackson Machado, desde a chegada dos primeiros imunizantes, em janeiro, Belo Horizonte tem recebido 14% das doses distribuídas pela SES. No entanto, pela primeira vez, a capital recebeu menos do que o esperado. Conforme o secretário, 70 mil vacinas eram aguardadas, mas só 19.336 chegaram.

"Essas 50 mil doses foram para outros lugares. Para onde, não nos interessa, porque dose distribuída é dose que vai ser aplicada, é alguém que é salvo. Isso não é problema. O problema é a falta de critério e de transparência", criticou.

O secretário de Saúde informou que a PBH enviará um ofício ao Ministério Público e ao Ministério da Saúde para questionar a política de distribuição de vacinas adotada pelo Estado.

Grávidas

Um grupo que segue sem definição de cronograma vacinal é o de grávidas sem comorbidades. Segundo Jackson Machado, a Secretaria Municipal de Saúde estuda a possibilidade de imunizá-las, mas o dificultador está na ausência de doses. 

"As grávidas também foram privadas da vacinação porque o Estado deveria ter mandado, e não mandou, o que, por sinal, é um descumprimento do PNI (Plano Nacional de Imunização), que determina que as doses sejam repassadas seguindo esses critérios", afirmou o chefe da Saúde de BH.

Atualmente, somente grávidas e puérperas com comorbidades são vacinadas contra a Covid na capital.

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