Máscaras no rosto, distanciamento de dois metros entre as pessoas, gesto da paz sem abraços e comunhão na mão. Antes de entrar na igreja, medição da temperatura corporal, álcool em gel e tapete sanitizante. Assim foi a celebração da missa na Paróquia Santíssima Trindade, no bairro Gutierrez, na região Centro-sul de Belo Horizonte, na manhã deste domingo (21).

De acordo com o padre Joel Maria dos Santos, a reabertura do templo para celebrações presenciais segue todas as orientações sanitárias da Arquidiocese de Belo Horizonte, estipuladas no documento "Evangelização Missionária: Um Novo Tempo", desenvolvido pela Cúria Metropolitana. 

"Estamos reabrindo as portas para a comunidade, mas com toda a atenção, responsabilidade, cautela e prudência, seguindo as orientações indicadas e nos adequando às exigências para essa reabertura", explicou o pároco.

Para o retorno do ato litúrgico com a presença de fiéis, a igreja adotou o uso de senhas, sendo 42 para este domingo, lugares demarcados tanto nos bancos quanto no piso. "Estamos de forma gradual fazendo essa reabertura, visando segurança e preservação da vida das pessoas. Não é só reabrir as portas da igreja, trata-se de um novo sentido, uma nova compreensão de posturas e atitudes. Depois vamos avaliar se ampliaremos a missa para outros horários", detalhou o padre.

O representante comercial Marcos Correa Lima, de 54 anos, disse que sentia falta da missa presencial e, com a reabertura, serão novos tempos. "Estava sentindo falta, vinha todos os domingos. Sabemos da pandemia e temos de tomar todo cuidado com a nossa saúde e a dos outros", disse. 

Já a aposentada Lúcia de Fátima, de 58 anos, acredita que a reabertura veio para ficar, mas que todos terão de se adaptar. "Vejo com alegria o retorno das pessoas para as celebrações. Para a comunidade é importante termos os atos litúrgicos. Nós cristãos nunca vivemos uma situação dessas, é tudo novo, e voltar a assistir uma missa aqui mostra nos a necessidade de conviver e se adaptar". 

As celebrações presenciais nas paróquias foram anunciadas pelo o arcebispo Dom Walmor Oliveira na quinta-feira (18). Segundo ele, desde que estejam enquadradas nas normas sanitárias, a medida é válida para os 28 municípios que integram a Arquidiocese de Belo Horizonte. "Se a paróquia estiver em condições, com a ajuda do nosso comitê técnico, logístico e sanitário, já poderá começar a operar", frisa.

Além da capital, fazem parte da Arquidiocese: Belo Vale, Betim, Bonfim, Brumadinho, Caeté, Confins, Contagem, Crucilândia, Esmeraldas, Ibirité, Mário Campos, Nova União, Lagoa Santa, Moeda, Nova Lima, Pedro Leopoldo, Piedade dos Gerais, Raposos, Ribeirão das Neves, Rio Acima, Rio Manso, Sabará, Santa Luzia, São José da Lapa, Sarzedo, Taquaraçu de Minas e Vespasiano.

Restrições

Apesar deste sinal verde, o documento deixa claro que, em cidades onde há restrições sanitárias, a igreja deve acatar a autoridade municipal. Em Belo Horizonte,  onde se concentra o maior número de igrejas, os cultos religiosos não foram proibidos pela prefeitura. 

"Cada paróquia, estando nas condições exigidas, dará o seu passo", observa Dom Walmor, que tem consciência de que as realidades são muito distintas nas 28 cidades, que totalizam mais de 700 igrejas.