Com o mercado de trabalho cada vez mais competitivo, ter habilidades múltiplas virou regra para conquistar uma vaga de emprego. Para quem busca se destacar neste cenário de concorrência acirrada, uma segunda graduação sempre será um diferencial no currículo do candidato.

Ampliar a base de conhecimento na área em que já atua ou mudar radicalmente de profissão são fatores que levam os estudantes a voltar às faculdades. O último Censo do IBGE apontava que quase 10% dos alunos das instituições de ensino superior mineiras estavam matriculados em um segundo curso, em 2010. No entanto, educadores afirmam que a procura pelo novo diploma tem crescido em todo o país nos últimos anos. 

A opção é vista por muitos como uma chance para garantir estabilidade na empresa ou um passaporte para vagas melhores. “É um diferencial interessante, principalmente por conta do desemprego elevado e dos baixos investimentos feitos pelas corporações”, destaca o professor Mário Rodarte, da Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG.

Para o docente, a escolha do novo título tende a agregar ainda mais quando leva a uma graduação na mesma área de atuação profissional do aluno.

“Um enfermeiro que faz medicina, por exemplo, irá trabalhar no mesmo ambiente, porém, com mais participação em pesquisas, mais horas de estágio e um potencial maior para atender as necessidades do paciente”, acrescenta Mário Rodarte.

“Ter duas graduações é importante, pois significa ter saberes e habilidades diferentes” (Eucidio Pimenta, especialista em educação)

Facilidades

Ricardo Frei Lima, professor de comunicação das Faculdades Promove, em Belo Horizonte, complementa que, nesses casos, há possibilidade de a nova formação ser concluída em um tempo menor. “Disciplinas afins podem ser eliminadas da grade curricular”, destaca.

Com diploma em teologia, Eunice Ribeiro Moreira, de 43 anos, faz hoje jornalismo no Promove. “Resolvi me reinventar. Não queria atuar como religiosa nem tive oportunidades que me contemplassem financeiramente”, conta.

Aplicação estratégica

O que Eunice aprendeu durante a primeira graduação, no entanto, não é desperdiçado.

“Conhecimento adquirido não se perde. Em algum momento, o aprendizado poderá ser utilizado de forma estratégica na profissão relacionada ao segundo curso”, frisa Ricardo Frei.

De olho neste ganho está Crisnalua Souza, de 24 anos. No fim do ensino médio, ela planejava ajudar a comunidade por meio da advocacia. Mas acabou optando por outro curso primeiro. 

“Não tinha rotina de estudos. Como gosto de gestão, acabei fazendo marketing e me organizei para uma segunda graduação”, conta.

A meta foi realizada. Hoje no quarto período de direito, também nas Faculdades Promove, a jovem já desenha o futuro. “A primeira capacitação só tem a somar. No jurídico, vou me relacionar com pessoas, e essa experiência já tenho”, diz Crisnalua.

Em Minas, quase 10% das matrículas em faculdades eram de alunos em busca de novo título

Formação completa

Obter um novo título também é opção para quem quer complementar áreas afins. Para muitas pessoas, um administrador de empresas decidir se graduar em enfermagem pode parecer uma decisão equivocada. Mas Bruno Oliveira, de 38 anos, sabe que essas áreas o ajudam a gerir as duas casas de repouso para idosos que tem em Minas Gerais.

A primeira formação do empresário foi em administração. Apesar de se considerar um bom gestor, ele sabia que poderia aprender mais. Para isso, entrou para o curso de enfermagem nas Faculdades Kennedy.

“Os títulos são complementares. Não vou migrar para a área da saúde, mas quero conhecer e entender as necessidades dos pacientes e dos profissionais que trabalham comigo”, explica Bruno, que se forma em 2020. 

Professor da Faculdade de Educação da UFMG, Eucidio Pimenta diz que a escolha foi acertada. De acordo com o especialista, quem já tem uma carreira definida deve analisar o tipo de especialização que deseja ao avaliar qual caminho seguir.