Sem prazo de liberação para que moradores voltem ao povoado de Pinheiros, em Itatiaiuçu, na região metropolitana de BH, a ArcelorMittal vai oferecer opção de mudança para os que assim preferirem. Cerca de 200 pessoas foram retiradas de casa na madrugada desta sexta-feira (8) devido ao risco de rompimento da barragem da mina de Serra Azul, que pertence à empresa. 

"Como o fato é novo e iniciamos agora nova avaliação técnica, não podemos precisar [quando poderão voltar para suas casas]. A particularidade de cada um será avaliada, mas não mediremos esforços. Podemos oferecer um dos terrenos que temos aqui para reconstruir a vila em comunidade, caso seja esse o desejo", explicou o CEO da empresa, Sebastião Costa Filho. Segundo ele, testes mais rigoros estão sendo feitos no local com base no que foi aprendido do rompimento em Brumadinho. 

Entre os removidos, 64 pessoas estão em um hotel de Itaúna, na mesma região. A todos os desabrigados foram oferecidos kits de higiene pessoal e remédios de uso diário. Uma equipe de psicólogos e assistentes sociais também está à disposição dos desabrigados. Outras 36 pessoas, que permanecem no local, estão sendo cadastradas e convidadas a evacuar a área para serem realocadas. 

A expectativa do plano de emergência da empresa, no caso de rompimento da barragem, era de que somente a comunidade de Pinheiros fosse afetada. Para que mais áreas ficassem sob a lama seria preciso, conforme o CEO, que uma chuva muito forte e um abalo sísmico de 5,5 graus atingisse a região. 

Risco

A empresa garantiu que todos os funcionários da mina vão receber salários e benefícios normalmente, mesmo durante a paralisação das atividades. A decisão de suspender os trabalhos foi tomada a fim de preservar a segurança dos operários. 

Segundo Cláudio Reis, gerente geral de serviços técnicos da Arcelor, os parâmetros de segurança da barragem foram revisados na útima semana por uma consultoria australiana. "A alteração relevante seria para o [nível] 3, quando a estrutura entraria em colapso, com o acidente já acontecendo", disse. 

Em outubro do ano passado, um licenciamento foi concedido pela Secretaria de Meio Ambiente, mas a barragem de Serra Azul estava sem receber rejeitos desde 2012. 

 

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