Um grupo de pesquisadores brasileiros conseguiu em tempo recorde esmiuçar a estrutura genética do zika. A façanha, conquistada em menos de um mês, é o primeiro passo para desvendar a doença e possibilitar o desenvolvimento de um exame de diagnóstico rápido, feito em 20 minutos.

Diferentemente do sequenciamento “à jato”, o modelo de teste sorológico só ficaria pronto em um ano. A produção de uma vacina, por sua vez, não levaria menos do que uma década.

O sequenciamento genético do zika foi realizado no laboratório de Virologia Molecular da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Dentre os sete cientistas envolvidos na pesquisa está o biólogo belo-horizontino Renato Santana Aguiar, doutor em genética e HIV. Para ele, é urgente que se use as informações obtidas até então para diagnósticos mais assertivos.

“Conseguir isolar o vírus foi uma de nossas maiores conquistas. Em laboratório, vamos avaliar se ele infecta neurônios, se poderia atravessar a placenta, se transmite melhor que a dengue e como se multiplica dentro do mosquito. Mas a urgência, na minha opinião, é usar as informações que já temos para fazer um diagnóstico mais preciso”, avalia.

Notificações

Até o momento, a investigação, que leva de três a cinco dias, é feita com técnicas robustas, caras, em laboratórios específicos e vem acontecendo prioritariamente entre as grávidas. Em contrapartida, os pesquisadores suspeitam que esteja havendo uma notificação exagerada de casos de zika em função da epidemia enfrentada pelo país.

“É provável que parte dos casos colocados na conta do zika na realidade não sejam da doença, justamente porque os sintomas são parecidos com os de outras doenças”, explica o biólogo Marcos Henrique Sorgine, da UFRJ.

Além disso, segundo ele, os pesquisadores não descartam a possibilidade de que haja outros vetores envolvidos. O motivo é que, ao contrário do que se imaginava, o zika vírus se propaga em velocidade menor do que a Chikungunya e igual à dengue, cujos vetores são o mesmo, o Aedes aegypti.