Serra, na região Centro-Sul; Sagrada Família e Santa Tereza, na zona Leste; Mantiqueira, em Venda Nova; União, na regional Nordeste. Os cinco bairros, nesta ordem, lideraram o ranking de furtos a residências na capital em janeiro de 2018. Naquele mês, foram 72 arrombamentos ou invasões a casas quando os moradores estavam fora ou sem que eles percebessem a ação dos ladrões.

Os números, obtidos via Lei de Acesso à Informação, mostram que as localidades concentraram 10% das queixas registradas no primeiro mês do ano passado. Os crimes reforçam o alerta para as férias de 2019, quando muitas famílias aproveitam o recesso para viajar. Cuidados simples, como evitar o acúmulo de correspondências, podem inibir as investidas dos bandidos.

Em BH, 3,4 mil furtos a residências foram registrados no primeiro semestre de 2018; confira o ranking

Números

Em janeiro de 2018, a Polícia Militar anotou 682 furtos a casas na capital, média de 22 delitos por dia. Foram cem registros a mais na comparação com março, mês com o segundo maior número de casos.

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O ranking completo pode ser consultado através deste link

 

No topo do ranking, o bairro Serra teve 23 ocorrências. Dentre as explicações, famílias com elevado poder aquisitivo, várias ruas escuras e, não raro, deslizes cometidos pelos próprios moradores.

Assalto arrombamento serra
Novo portão foi instalado na casa onde Alysson trabalha, após arrombamento no bairro Serra

Casos

Vítima da bandidagem justamente no início do ano passado, a dona de casa Cleide Maria Pimentel, de 49 anos, teve eletrodomésticos, roupas, dinheiro e joias furtados. O imóvel, na rua Oriente, foi arrombado durante a madrugada, após a família viajar para São Paulo. Para entrar na casa, os ladrões quebraram o gradil de proteção de uma janela. 

“Iria chegar em Belo Horizonte no dia seguinte, mas fui avisada pela minha mãe e tive que vir antes”, contou Cleide. “Os bandidos monitoram as residências, eles sabem tudo que acontece por aqui. A gente conta é com a colaboração dos vizinhos”.

Na tentativa de impedir novos crimes, os moradores reforçaram a segurança. Basta caminhar pelas ruas do Ouro, Henrique Passini, Oriente, Itapemirim, Capivari e Níquel, todas no Serra, para perceber cercas elétricas, concertinas (arame laminado colocado nos muros) e câmeras de vigilância.

Vigilância

O monitoramento por vídeo foi uma das alternativas utilizadas na casa onde trabalha o motorista Alysson William da Cruz. A residência já foi arrombada duas vezes. O caso mais recente foi no fim de 2016, também durante a madrugada, quando um carro teve as portas quebradas. Os bandidos tentaram levar o som, mas não conseguiram.

Além do sistema de monitoramento, a reincidência dos delitos levou os donos da casa a colocar um novo portão na garagem, tapando a visão, e a reforçar o sistema de alarmes. “A situação aqui está muito complicada. Não tem horário para eles assaltarem. A gente conta com a ajuda da Polícia Militar e de Deus”, lamentou Alysson.

Quem também se preocupou em adotar medidas de proteção foi o aposentado Olney Jardim, de 93 anos. Ele mora em um imóvel na rua Itapemirim com a esposa Dora Guimarães, de 85. O local foi alvo de dois assaltos em 2017.

Na época, a casa contava apenas com uma concertina. A cerca, entretanto, não evitou o acesso dos ladrões, que fugiram com duas poltronas. “Depois disso, reforcei a concertina e coloquei uma cerca elétrica. Se alguém entrar aqui de novo, pretendo me mudar”, afirmou Olney.

Serra

Poder aquisitivo

De janeiro a junho do ano passado, 3.447 furtos a casas foram registrados em BH. Para o especialista em segurança e professor de ciências sociais Luís Flávio Sapori, as ocorrências estão diretamente ligadas a questões econômicas.

“Bairros com mais residências e moradores com maior poder aquisitivo tendem a ser mais visados por dois motivos: o criminoso vê mais possibilidade de lucrar com o furto ou roubo e porque essas pessoas são as que normalmente viajam durante as férias”, avalia Sapori.

A Polícia Militar admite que os registros são mais frequentes em janeiro. Porém, o tenente-coronel Fábio Almeida, comandante do 22º Batalhão, responsável pelo policiamento na região Centro-Sul, diz que o ranking varia. “Esse é um crime de oportunidade, o agente do furto monitora vários bairros, residências e vizinhanças. Ele escolhe a casa onde será mais fácil entrar e sair”, explica.

Ao analisar a liderança do bairro Serra, o tenente-coronel afirma que, além da característica residencial, a localidade tem muitas ruas escuras, ambiente favorável aos bandidos. 

Almeida assegura que uma série de medidas tem sido adotadas. “Já aumentamos o monitoramento diário e as operações preventivas, além de termos uma equipe de inteligência específica para esse fim”.

Segundo ele, pelo menos metade dos suspeitos de furtos no Serra foram detidos. “A dificuldade desse tipo de crime também está na lei. Por ser considerado de menor potencial ofensivo, as pessoas ficam presas por pouco tempo e, muitas vezes, não são nem enquadradas na prisão em flagrante”.

Demais regiões

Nos demais bairros, também há previsão de ações para evitar furtos e roubos a residências, por meio da operação Férias Seguras. A corporação garante intensificar o patrulhamento em toda a capital. O reforço conta com 3 mil militares na Grande BH e 2 mil no interior.

“Nós nos baseamos em uma série de estudos das estatísticas criminais, que trazem os números de ocorrências, as formas de agir dos criminosos, horários e locais. Assim, criamos estratégias de ação”, acrescenta o oficial.

Retorno

Sobre as críticas com relação à iluminação precária no Serra, a BHIP, concessionária responsável pelo serviço na capital, diz que uma série de fatores podem influenciar. Dentre eles, a falta de postes e a arborização das ruas. A empresa tem mais dois anos para concluir o processo de modernização do sistema. O trabalho nas regionais onde ficam os bairros com mais furtos já começou. Pela zona Leste, segundo a empresa, parte do Santa Tereza, terceiro no ranking, já foi modernizada. A Centro-Sul, onde está o Serra, só tem previsão de conclusão para dezembro de 2020. Em Venda Nova, as intervenções foram finalizadas e, na Nordeste, estão em fase final.

Já a prefeitura de BH informou que, à medida que os serviços de iluminação vão sendo executados, são identificados os locais com a necessidade de poda ou supressão de árvore. Em alguns casos, quando há interferência na rede de energia, o trabalho é feito em conjunto com a Cemig. Conforme a administração municipal, as intervenções são criteriosamente avaliadas, programadas e executadas gradativamente.

Dicas para evitar ser alvo dos bandidos

- Evite deixar correspondências acumuladas (peça a ajuda de vizinhos e amigos)

- Não deixe as luzes da casa acesas (o ideal é a instalação de sensores de luminosidade)

- Conte sempre com a ajuda de vizinhos (para monitorar o movimento na rua, por exemplo)

- Tranque, além das portas da rua, a dos demais cômodos (para dificultar o acesso dos ladrões)

- Cortinas nas janelas são importantes (podem dificultar a visão do interior da casa)

- Se possível, instale equipamentos de segurança (câmeras e sensores com alarmes)

- Para evitar roubos, evite o mesmo trajeto de casa para o trabalho (e vice-versa)

- Verifique a presença suspeita de pessoas na rua (sempre antes de sair ou entrar na casa)

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