Insatisfeitos com a proposta feita pelo governador Romeu Zema (Novo), de pagar 80% do 13º salário de 2018 até maio e o restante até julho, os servidores da segurança pública de Minas Gerais ameaçam entrar em estado de greve e, até mesmo, de promoverem uma paralisação que poderia ocorrer durante o Carnaval. 

A afirmação foi feita após o fim da manifestação desta sexta-feira (22), que interditou a linha verde por mais de duas horas.
 
“Para que isso não ocorra (paralisação), vai depender do governador. Ele sabe que tem uma janela de negociação conosco, e espero que ele negocie os outros pontos que reivindicamos, pois hoje ele só tratou sobre o 13º, afirmou o subtenente Éder Martins, presidente da Associação dos Policiais e Bombeiros de Minas Gerais (Aspra-MG).

Questionado sobre a multa de R$ 50 mil a cada hora de interdição da via, o coronel Mendonça, um dos líderes do movimento, disse que assumiria a responsabilidade. “Eu não recebi notificação nenhuma, mas se recebesse assumiria. A gente não tem dinheiro mesmo. Eles vão me prender por estar requerendo meu 13º? Estamos lutando por um direito básico, alimentar”, criticou o líder.

Dia de portestos

Cerca de dois mil servidores da segurança pública bloquearam os dois sentidos da MG-010, principal via de acesso à sede do executivo estadual e a municípios do vetor Norte da Região Metropolitana de Belo Horizonte, além do aeroporto de Confins. Segundo a Polícia Militar Rodoviária (PMRv), servidores queimaram caixões na rodovia e fecharam o tráfego nos dois sentidos. 

A organização do movimento começou no início da tarde desta sexta na Praça da Estação, onde os servidores deliberaram que continuariam o protesto em frente ao Palácio Tiradentes, na sede do governo estadual. A principal pauta defendida pelo movimento é o pagamento integral do 13º salário de 2018, que representa uma parte da dívida bilionária deixada pelo governo anterior. 

O pagamento integral do 13º é a principal, mas não é a única pauta defendida pelos protestantes. Seguno o Sindipol-MG, os servidores também exigem que o governo volte a pagar o salário no quinto dia útil, que faça a reposição inflacionária e quite a dívida com o Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais (Ipsemg) e com o Instituto de Previdência dos Servidores Militares do Estado de Minas Gerais (IPSM).

Uma das reclamações dos servidores é que o Estado alega estar quebrado, mas os servidores do Legislativo e os do Judiciário continuam recebendo seus salários integralmente, o que acabaria levando os funcionários alocados no Executivo a pagar a conta sozinhos.

As mobilizações, de acordo com Sindpol-MG, já vêm sendo articuladas desde a posse do governo de Zema, quando ele disse que continuaria parcelando os vencimentos e que o 13º seria pago da mesma forma. Nesta sexta-feira (22), o governo enviou à imprensa uma nota de esclarecimento na qual afirma que o Estado passa pela pior crise financeira de sua história e que é um dos estados mais endividados do Brasil. 

De acordo com a nota, a dívida do governo com restos a pagar e déficit do último exercício chega a mais de R$ 24 bilhões. Nesse montante, estão inseridas dívidas com fornecedores, 13º de 2018 com os servidores, repasses aos municípios retidos, entre outros.

"Diante deste panorama, o Governo de Minas Gerais trabalha para reequilibrar suas contas, com o objetivo de reduzir despesas, com urgência, para haver a retomada da capacidade de pagamento dos compromissos do Estado. (...) O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, está aberto ao diálogo para apresentar com transparência a verdadeira situação financeira do Estado, já abordada nesta nota de esclarecimento. E, principalmente, o que está sendo feito para sanar as contas em aberto com servidores, prefeitos e fornecedores", diz parte da nota.

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