O governo de Minas Gerais teria sido orientado a não realizar a cerimônia simbólica de aplicação da vacina contra a Covid-19, em 18 de janeiro, no Aeroporto Internacional em Confins, na Grande BH. O evento ocorreu logo após a chegada da primeira remessa de imunizantes ao Estado. A recomendação para evitar a solenidade veio da área técnica da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG).

Uma caixa com 35 doses foi aberta para a cerimônia e, para evitar o descarte posterior, servidores da Central Estadual da Rede de Frio foram vacinados ainda naquela madrugada, conforme informações prestadas pela diretora de Vigilância de Agravos Transmissíveis da SES, Janaína Fonseca Almeida, em depoimento nesta terça-feira (4) à CPI dos fura-filas, na Assembleia Legislativa (ALMG). 

“A caixa saiu do avião e foi direcionada até o evento, não era uma recomendação técnica que o evento ocorresse justamente em razão do excesso de luminosidade, do excesso de tempo que essa vacina estaria à mercê de variação de temperatura, o que realmente ocorreu. Essa vacina sofreu variação de temperatura. Nós saímos do aeroporto, chegamos na Central de Rede de Frio às 22h e permanecemos até às 2h preparando as caixas que seriam enviadas aos municípios no dia seguinte. Percebendo que aquelas vacinas poderiam ter que ser desprezadas, achamos por bem vacinar a equipe que estava no local”, disse Janaína, que afirmou, ainda, ter sido uma das servidoras vacinadas na ocasião.

Naquele dia, três servidores foram vacinados ainda no aeroporto. Segundo a diretora de vigilância, a ordem para que o evento ocorresse veio do próprio governo. “Naquele momento havia uma insegurança muito grande com a vacina, as pessoas duvidavam ainda da eficácia. O evento também foi importante nesse sentido, de conscientizar a população e dar segurança, mas do ponto de vista técnico, a gente sabia do risco de desvio de temperatura, o que realmente aconteceu”, completou.

Por nota, o governo de Minas informou que o primeiro lote de vacinas da Coronavac estava com 577.480 doses. E que, "para reforçar a importância do processo e estimular a imunização", organizou o ato simbólico, com a vacinação de cinco servidores da Fundação Hospitalar do Estado (Fhemig). A imunização, reforçou o Executivo ocorreu no mesmo dia em que "vários estados e municípios do país".

Sobre o processo de vacinação de servidores, o governo voltou a dizer que as investigações são realizadas pela Controladoria Geral do Estado, que irá compartilhar as apurações com o Ministério Público e com a Comissão Parlamentar de Inquérito da ALMG.

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