O volume do sistema Paraopeba, responsável pelo abastecimento de água da Grande Belo Horizonte, vem caindo há 14 dias e atingiu, na quarta-feira (30), um volume médio de 26,4%. No mês, o índice fica em 28,4%, o pior da história. A situação é considerada crítica, mas pode ser amenizada com pancadas de chuvas previstas para os primeiros 15 dias de outubro.

Conforme a medição diária da Copasa, o nível registrado nos três reservatórios que compõem o sistema foi de 24,8% no Vargem das Flores, 10,1% no Serra Azul e, no Rio Manso, 36,4%. Todos eles com quedas graduais nos últimos dias. As chuvas registradas em meados de setembro não foram capazes de impactar fortemente na capacidade das represas.

A Copasa informa que a tendência é a de que o nível de água do sistema fique cada dia pior “até que comece a chuva”. Apesar disso, em nota, a empresa garante que o problema não afetará o abastecimento.

“A água armazenada nos reservatórios do Sistema Paraopeba é suficiente para garantir o abastecimento de toda a população atendida pelo sistema na RMBH até o mês de janeiro, considerando-se um cenário com ausência de chuvas durante o período e que os atuais índices de economia de água por parte da população sejam mantidos”, diz a nota.

No entanto, desde que a empresa afastou o risco de sobretaxa ou rodízio, os índices de economia da população caíram: giravam em torno de 15%, nos meses anteriores, mas em agosto caiu para 10,8%.

A Copasa aposta na conclusão das obras no rio Paraopeba, em Brumadinho, previstas para dezembro, para solucionar o problema. Segundo a companhia, a construção irá possibilitar a recuperação dos reservatórios durante o período chuvoso, quando a captação será feita no Paraopeba, quando a vazão do rio é volumosa. “Com essa obra, o risco de desabastecimento na RMBH fica afastado para os próximos anos”, afirma em nota.

Previsão do tempo

A esperança para uma melhora nos índices dos reservatórios está em uma nova frente fria que irá favorecer a ocorrência de chuvas neste mês. A previsão, de acordo com o Centro de Meteorologia TempoClima PUC Minas, é a de que o período tenha várias pancadas de chuvas.

“Serão frequentes as pancadas, principalmente nas cidades próximas ao Sistema Paraopeba”, afirma o meteorologista Heriberto dos Anjos.

Porém, as precipitações não irão aumentar significativamente nos níveis de água dos reservatórios. “A tendência é a de que o nível de água pare de diminuir e se mantenha estável até a chegada o período chuvoso”, esclarece.

De acordo com o meteorologista, a expectativa é a de que o volume de chuva para o mês de outubro varie entre 120 e 135 milímetros. Mas apesar das pancadas de chuva, o calor continua. A previsão é a de que outubro tenha novos recordes de temperatura, podendo ultrapassar a marca dos 37,1°C, registrada em 2007.

Além disso

A situação da falta de chuva atinge vários municípios mineiros. Moradores de Visconde do Rio Branco, na Zona da Mata, estão com o abastecimento comprometido. De acordo com a Copasa, a estiagem dos últimos anos e a diminuição do nível do Ribeirão Piedade têm prejudicado o abastecimento da cidade.

Para garantir o fornecimento de água aos moradores durante o período crítico, a companhia iniciou o sistema de rodízio como medida emergencial, além da perfuração de poços profundos e do apoio de caminhões-pipa.

Na quarta, a captação no Ribeirão Piedade registrou 70 l/s, com vazão de 73%. Vários bairros da cidade irão ter o abastecimento alternado durante o período do dia e da noite. A medida está prevista para até o início da noite desta quinta (1º).

Em Pará de Minas, região Central do Estado, a situação também é crítica, com moradores enfrentando a falta d’água nesse período de extremo calor.