O Sindicato dos Rodoviários de BH (STTR-BH) afirma que dois motoristas de ônibus foram agredidos por usuários ao cobrarem o uso da máscara no veículo, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Um dos atos de violência aconteceu em Ibirité, na RMBH, quando o motorista levou socos de um agressor que se negou a utilizar o acessório de proteção.

Já na região central de Belo Horizonte, um passageiro que também se recusou  usar a máscara, atirou uma pedra em direção ao profissional.

Ambos os casos aconteceram em maio, quando a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) já havia publicado um decreto que torna obrigatório o uso de máscaras de proteção no transporte coletivo intermunicipal e metropolitano.

Presidente do STTR-BH, Paulo César da Silva, relata que as ameaças aos motoristas que cobram dos passageiros o  uso do equipamento de proteção vêm sendo frequentes.

"Sobre agressões físicas, até o momento chegaram esses dois casos, mas agressões verbais, ameaças, são constantes. Acaba que se o motorista responder essas agressões, se 'bater boca' com a pessoa que o ofendeu,  os xingamentos passam para a agressão física", completou Paulo César.

Fiscalização

O presidente do STTR-BH afirma que a fiscalização do uso das máscaras não deve ser atribuição dos motoristas e pede maior atuação da Prefeitura de Belo Horizonte nesse sentido.

"Como se não bastasse a preocupação do profissional com o risco de ser contaminado com a doença, tem o controle do número de passageiros  no veículo. Infelizmente, acarretou mais uma responsabilidade para esses profissionais, que na verdade não cabe a nós rodoviários. Não temos nenhuma patente de autoridade. Eles (autoridades) acabam querendo soltar essa bomba  na mão do profissional (motorista). A fiscalização não está condizente coma demanda".

Além de cobrar um auxílio maior das autoridades para garantir a segurança dos profissionais, Paulo César da Silva faz um apelo aos usuários do transporte público.

"Em primeiro lugar, em relação à cobrança das máscaras, é necessário a conscientização a população. O uso da máscara resguarda não apenas os profissionais, mas também o próprio usuário do transporte. Fazemos esse apelo À população. A fiscalização tem que existir, mas creio que a conscientização é o melhor remédio neste momento".

Prefeitura de BH

Sobre a situação descrita pelo presidente do STTR-BH, a Prefeitura de Belo Horizonte se manifestou por meio de nota, em que afirma que vem executando várias ações para o combate da disseminação do coronavírus através do transporte coletivo, e que também pede a conscientização da população sobre a necessidade de respeitas as medidas de prevenção à doença. 

Confira a íntegra da nota enviada pela PBH:

Desde o início da pandemia, a Prefeitura de Belo Horizonte definiu várias ações visando o combate à disseminação do Covid-19 e a proteção de usuários e trabalhadores do transporte público. Dentre as medidas, prevê-se a obrigatoriedade do uso de máscara, disponibilização de álcool em gel, distanciamento nas estações e número máximo de usuários nos veículos de transporte coletivo.

Sobre o uso das máscaras, os usuários são alertados pelo serviço de áudio nas estações, por agentes com megafones, por cartazes  e vídeos nas TVs dos veículos.  Os motoristas do transporte coletivo por ônibus, junto com os agentes da BHTRANS e os fiscais do Transfácil, auxiliam também orientando os passageiros durante o embarque nos veículos sobre o uso da máscara. Também a Guarda Municipal está empenhada na fiscalização do uso de máscara cujo descumprimento pode, inclusive, acarretar a aplicação de multa na forma da Lei. É fundamental que a população colabore e entenda que usar a máscara é uma proteção pessoal e das pessoas próximas.

A reportagem entrou em  contato com o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (SetraBH) para comentar sobre as agressões aos motoristas, e o pedido do STTR-BH e aguarda o retorno.