Uma diferença de quase mil entre o número de votantes na lista de presença e os votos computados no sistema na eleição para o Conselho Tutelar em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, levou o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCAC) a anular o pleito na cidade.

Segundo o procurador-geral do município, Marius Fernando Cunha de Carvalho, a eleição em Contagem, no domingo (6), foi marcada por denúncias de fraudes. "A comissão mista montada para esse fim apurou denúncias de compra de votos, transporte de eleitores, duplicidade de votos e a diferença entre os votos computados e a lista de votantes, que foi considerada procedente", detalhou.

A anulação foi recomendada pela Comissão Organizadora do Processo de Eleição dos Conselheiros Tutelares na última quarta-feira (9) e acatada pelo conselho na quinta-feira (10). Nas apurações, conforme contou o procurador-geral, foram constatados nomes que constavam na lista de votantes, mas não tiveram os votos registrados. "Essa diferença chegou a cerca de mil votos, e isso poderia alterar o resultado da eleição, por isso achamos melhor anular", explicou Carvalho, que atribuiu o problema a uma falha no sistema eletrônico contratado para a computação dos votos.

O presidente do Conselho durante a apuração das denúncias, Wellington Soares Martins, detalhou o ocorrido e contou que o problema começou logo que os pontos de votação foram abertos. "Recebemos muitas chamadas reclamando que o sistema não funcionava, esperamos cerca de meia hora por recomendação do T.I. e, então, abrimos para a votação em cédula", explicou.

No entanto, um dos primeiros problemas apareceu quando em uma sessão 27 eleitores afirmaram ter votado pelo sistema eletrônico. Os organizadores pediram a lista de votantes à empresa que operava o software e, nela, constavam 80 votos. Em outra sessão, o sistema deixou de contabilizar votos suficientes para alterar o resultado da eleição, o que levou à anulação.

Segundo Martins, a eleição em Contagem é municipalizada, ao contrário de BH onde os candidatos são limitados à sua regional. Os 35 eleitos são designados após o pleito a uma das sete regionais, sendo que os mais votados podem escolher as regionais onde trabalhar. Segundo ele, a diferença entre o último da lista eleita e o primeiro suplente é de apenas um voto, que poderia ser diferente caso o sistema tivesse funcionado corretamente. "Lamentamos profundamente o que aconteceu, trabalhamos mais de um ano para que fosse da melhor forma, mas houve esse imprevisto", lamentou.

Agora, autoridades municipais devem se reunir para discutir uma nova data e um novo edital para o pleito. Marius Carvalho afirmou que não há uma previsão, mas o desejo é que a eleição aconteça até o fim de novembro. Segundo Martins, o conselho ainda tem tempo hábil para que a anulação não atrapalhe o trabalho do conselho, já que a posse acontece no dia 10 de janeiro de 2020.

BH

Na eleição em Belo Horizonte, não foram recebidas denúncias que colocassem em risco o resultado do processo. O resultado final da eleição foi publicado nesta sexta-feira (11), no Diário Oficial do Município, e não trouxe nenhuma alteração da lista preliminar divulgada no domingo. Agora, segundo a Secretaria Municipal de Assistência Social, Segurança Alimentar e Cidadania (SMASAC), são abertas 48h úteis para a interposição de recursos. Após esse período e da análise dos eventuais pedidos, os eleitos serão anunciados até o dia 31 de outubro.

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