Após três anos tendo que enfrentar o rodízio de água, com escassez do recurso até para tomar banho, montes-clarenses comemoraram o anúncio da Copasa de que a medida está suspensa. As caixas d’água passarão a receber o produto durante todo o dia graças ao início da pré-operação do sistema de captação do rio Pacuí. A expectativa é a de que as obras sejam concluídas no final de novembro.

“Agora podemos receber uma visita em casa, sem passar vergonha. Pois, antes a gente recebia visita e não tinha água para tomar banho, o banheiro ficava sujo, vaso sem dar descarga. Agora ficou mais decente receber alguém em casa”, comemora a dona de casa Janete Clea Silva, moradora do bairro Dona Gregoria.

Na quinta-feira (13) ela se sentia feliz em poder limpar a casa sem ter que racionar o uso da água. “Antes tínhamos que nos dividir e espalhar em outras casas em bairros distantes para tomar banho. Já aconteceu várias vezes de água acabar e termos que dormir sem tomar banho. Mas vou continuar economizando. Já tenho vizinhos desperdiçando água nas calçadas e acho isso um absurdo. Sou daquelas que lava roupa e aproveito a água para lavar o quintal”, ressaltou.

Apesar de suspender o rodízio, a Copasa alerta a população para não desperdiçar. Laura Maria Soares, que trabalha em uma lanchonete próximo à praça Doutor Chaves (praça da Matriz), diz que a felicidade por ter água o tempo todo é enorme e que economia é a palavra de ordem. Ela teve que enfrentar momentos difíceis no comércio por causa do rodízio.

“Ficamos aliviados com essa notícia. É muito melhor para trabalhar, quando falta é muito complicado. Já chegamos a ficar sem vender os sucos porque não tinha água para lavar a refresqueira nem para fazer o suco. Isso acaba prejudicando as vendas. É importante sempre manter a economia de água, porque não podemos fazer nada sem ela”, diz Laura. 

Abastecimento

O sistema de captação do rio Pacuí custou cerca de R$ 88 milhões. Além dele, o abastecimento dos 200 bairros de Montes Claros é feito pela barragem de Juramento que está com 27,3% da capacidade. 

O rodízio de água começou no dia 12 de outubro de 2015 – a água chegava às residências em dias alternados. Posteriormente, com a falta de chuva, o nível da barragem de Juramento chegou a 13,36% (novembro de 2017), e para abastecer toda a cidade, a Copasa teve que alterar o rodízio para 48h. As regiões mais altas do município chegaram a ficar mais de dez dias sem o recurso hídrico, pois chegava fraco e não tinha pressão para chegar até as residências. 

No ano passado, foram iniciadas as obras no rio Pacuí. A água é captada e levada a Montes Claros por 54 km de tubulação. Segundo o superintendente da Copasa, Roberto Botelho, o sistema não afetará as outras cidades dependentes do rio e abastecerá 35% da demanda de Montes Claros. De acordo com a outorga concedida pelo Instituto Mineiro de Gestão de Águas (Igam), a empresa pode captar até 345 litros por segundo no Pacuí.

* Com Leonardo Queiroz e Alice Veloso