"Eu nunca tirei a liberdade de ninguém que tivesse tirado a minha primeiro", afirmou Antônio Donato Baudson Peret, de 25 anos, durante a apresentação nesta terça-feira (16). De cabeça baixa e com um curativo no rosto, o homem que se intitulava nas redes sociais como skinhead e tinha manifestações racistas e de cunho neonazistas negou todas as acusações que são apontadas contra ele: de formação de quadrilha e racismo. Ele é apontado como agressor de um morador de rua na Savassi, na região Centro-Sul de Belo Horizonte. Donato está preso no Centro de Remanajemaneto de Presos (Ceresp) São Cristóvão desde segunda-feira (15), após ter sido preso em Americana, no interior paulista. O machucado no rosto ocorreu na manhã desta terça-feira dentro da cela durante uma briga com os detentos.

De acordo com a Subsecretaria de Administração Prisional (Suapi), a agressão ocorreu por volta das 7, por um detento com quem dividia cela. Ele teria levado um soco e, segundo a Suapi, imediatamente socorrido por agentes penitenciários. 

Durante a apresentação nesta terça, Donato disse que foi agredido por 30 detentos e que não sabia a razão das agressões. Durante a primeira abodagem da imprensa, ele ficou calado, mas após ouvir o amigo dele Marcus Vinícius Cunha Garcia, também apresentado nesta terça-feira por formação de quadrilha e racismo, Donato resolveu falar.

Ele disse que a prisão dele ocorreu devido a um "mal-entendido" e chamou a fotografia na qual aparece enforcando um morador de rua como "infeliz brincadeira". "O melhor a fazer agora é esperar o rapaz aparecer para ele confirmar que tudo foi uma brincadeira", contou. O que Donato não sabia, porém, é que o homem agredido foi ouvido pela polícia e registrou um boletim de ocorrência alegando ter apanhado de Donato. O morador teria contado que pegou uma corrente para se defender de Donato, que teria tomado o objeto do morador de rua e tentado enforcá-lo.

Sobre os três processos que correm na Justiça, nos quais Donato é apontado por ter agredido homossexuais, ele negou o envolvimento nos casos e disse que estão querendo incriminá-lo por crimes que ele não teria cometido. "Eu nunca incentivei nada a ninguém. Nunca ameacei e nem agredi ninguém", afirmou. Donato mostrou-se incomodado com os questionamentos dos jornalistas e alegou que parte da culpa de tudo o que ele está passando é culpa da imprensa. "É tudo escândalo da mídia", disse em certo momento. Ele ainda acrescentou "A maior parte da culpa é de vocês e da foto que postei".

Donato contou que faltou a uma audiência de um processo do qual respondia por agressão na Praça da Liberdade porque estava internado na clínica Santa Maria por problemas de depressão. "Eu estava internado por causa de depressão, problemas de cabeça, stress", disse. Segundo ele, o caso da praça da Liberdade já foi solucionado. "É um fato resolvido, quem agrediu ou deixou de agredir já pagou pelo preço e não foi eu. Não adianta colocar a culpa nas minhas coisas", se defendeu.

Questionado, Donato negou que seja membro de qualquer associação ou organização. E disse que preza pela liberdade das pessoas. "A liberdade de um acaba quando começa a do outro. Eu nunca tirei a liberdade de ninguém que tivesse tirado a minha primeiro", afirmou. Mais de dez boletins de ocorrência foram registrados em Belo Horizonte com relatos de casos de agressão e ameaça, nos quais Donato aparece como autor dos crimes. As vítimas dele, na maioria das vezes, eram homossexuais, negros e moradores de rua, segundo a delegada Paloma Boson, que está à frente dos crimes que teriam sido cometidos por Donato, Marcus Vinícius Garcia e João Vetter, na internet.

De acordo com a Suapi, o detento deve passar por um exame de corpo delito. A unidade prisional instaurou um procedimento interno de investigação para apurar as responsabilidades pelo ocorrido.

Atualizada às 15h34.