Mais uma notificação de caso suspeito de febre maculosa foi feita em Contagem, na Grande BH, nessa quinta-feira (6), totalizando 34 casos. Já o número de mortes permanece o mesmo: são quatro óbitos, sendo três confirmados e um em investigação. 

As notificações são feitas no momento em que o paciente chega para atendimento nos centros de saúde e o médico percebe os sintomas compatíveis com a doença. A partir daí, é feita uma coleta do sangue do paciente, que é enviada para análise laboratorial. O paciente também já começa a receber o tratamento cabível no momento em que o médico suspeita da doença.

De acordo com a Prefeitura de Contagem, três representantes do Ministério da Saúde chegam à cidade nesta sexta-feira (7) para visitar o terreno afetado e colher amostras do carrapato. 

Além disso, a partir de segunda-feira (10), começam a funcionar dois ecopontos com serviço de banho de carrapaticida para cavalos de carroceiros. Segundo a prefeitura, a medida deve beneficiar carroceiros de 90 bairros da cidade.

No terreno onde foram encontrados os focos dos carrapatos continua a limpeza com maquinário e cal, substância que aumenta a acidez do solo e mata os aracnídeos. De acordo com a administração municipal, mais da metade do terreno já recebeu o produto. 

No Estado

Em Belo Horizonte, de acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (SMSA), há 31 casos em investigação na Fundação Ezequiel Dias (Funed), mas nenhum foi confirmado até o momento. 

Já em outras cidades mineiras, foram confirmados pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) quatro casos de febre maculosa, em Faria Lemos e Raul Soares, ambas na Zona da Mata, e em Governador Valadares, no Vale do Rio Doce. Em Faria Lemos, foram dois pacientes com a doença confirmada, sendo que um deles morreu. Já nas outras duas, foi confirmado um caso em cada, sendo que o paciente de Raul Soares acabou morrendo em decorrência da febre maculosa.

A SES-MG ainda afirmou que o acompanhamento e a busca ativa de casos é realizada em todo o estado durante o ano todo, assim como a vigilância laboratorial. "Foram realizadas as devidas orientações técnicas relacionadas às ações de prevenção e controle da febre maculosa no local para a população e profissionais de saúde. Com relação ao controle e prevenção do vetor, foram realizadas ações de controle do vetor, bem como sua coleta para pesquisa laboratorial. As ações de vigilância da doença estão sendo contínuas, monitoradas e com ampla divulgação na região", diz trecho da nota.

Orientações

Pessoas que moram perto de áreas com possibilidade de existência do carrapato-estrela devem examinar o corpo a cada três horas, usar roupas claras e compridas, colocar barras da calça para dentro da meia e usar sapatos fechados. Outras orientações, são: 

- Se encontrar um carrapato no corpo, o recomendável é utilizar uma pinça e retirar o parasita pelo bico.  Apertar o animal com os dedos pode fazer com que o sangue caia na corrente sanguínea do ser humano;

- Outro alerta da prefeitura é de que as pessoas não matem as capivaras. O carrapato-estrela é hospedeiro de animais que estão com sangue quente. Quando um animal morre, o carrapato procura outro ser vivo para se alimentar e o perigo pode se espalhar ainda mais;

- O abandono de animais em outras regiões também pode fazer com que a doença se espalhe. A responsabilidade pela higienização é dos donos.

Tratamento precoce é essencial

Ao primeiro sinal da doença, a orientação é procurar atendimento médico imediatamente, já que o tratamento precoce é essencial para evitar formas mais graves da febre maculosa e até mesmo a morte, segundo o Ministério da Saúde. Veja abaixo alguns sintomas:

- Febre acima de 39ºC e calafrios, de início súbito;
- Dor de cabeça intensa;
- Náuseas e vômitos;
- Diarreia e dor abdominal;
- Dor muscular constante;
- Inchaço e vermelhidão nas palmas das mãos e sola dos pés;
- Gangrena nos dedos e orelhas;
- Paralisia dos membros que inicia nas pernas e vai subindo até os pulmões causando parada respiratória;
- Além disso, com a evolução da febre maculosa é comum o aparecimento de manchas vermelhas nos pulsos e tornozelos, que não coçam, mas que podem aumentar em direção às palmas das mãos, braços ou solas dos pés.

Colaborou Daniele Franco

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