Falta de dinheiro não é mais desculpa para deixar a casa sem decoração de Natal. Em mãos talentosas, retalhos de pano, pedaços de bambu ou até papelões podem ganhar novos usos. Viram guirlandas, árvores e acessórios festivos que não apenas enfeitam, como também ajudam a preservar o meio ambiente.
 
A artesã Maria da Guia Vaz de Lima considera-se especialista no assunto. Há mais de três décadas, customiza objetos que seriam jogados no lixo, transformando-os em adornos natalinos para o lar. As criações são feitas no Salão do Encontro, instituição sem fins lucrativos localizada em Betim. 
 
Só neste ano, cerca de 160 presépios ecológicos foram produzidos para revenda. Tecidos, cones de linha e as linhas que não tinham mais serventia agora “dão vida” a José, Maria e o menino Jesus. “Forramos os cones com o pano e costuramos os olhos, nariz e boca em cada um dos personagens”, ensina.
 
O passo a passo pode até ser o mesmo, mas trabalhos manuais nunca ficam idênticos, afirma Maria da Guia. “Cada presépio é personalizado porque mudamos o tecido e não conseguimos repetir as expressões do rosto a cada costura”. O enfeite faz tanto sucesso que a produção começa ainda no início do ano para atender aos pedidos do público.
 
Xom boa dose de criatividade, Maria da Guia também faz guirlandas com material reciclável. Em vez de heras artificiais, ela prefere usar cipó e flores em palha de milho, que são pintadas em tons natalinos. A assistente social Ana Paula Barreira Bersan também é adepta da decoração sustentável. A preferência por produtos ambientalmente corretos, segundo ela, é fruto da profissão que a ajudou a desenvolver uma consciência mais social e ecológica.
 
Na casa dela, os enfeites da árvore de Natal são feitos de tecidos, garrafa pet e outros materiais reciclados, assim como os castiçais e adornos do centro de mesa. “É um trabalho muito artístico e diferenciado. Foge completamente daquele padrão que encontramos em shopping center”, elogia.
 
Parque Municipal
 
A decoração de Natal sustentável não está apenas escondida nos lares. Quem mora em Belo Horizonte e tem o hábito de frequentar o Parque Municipal Américo Renné Giannetti, no Centro da capital, já se acostumou a ver o presépio, anualmente montado com itens que seriam descartados. Por trás da obra artística está a habilidosa Joana Aparecida Teixeira, ajudante de serviço operacional e de educação ambiental do parque.
 
Há nove anos, a estrutura dos personagens é a mesma: bambu, cabo de vassoura, papelão, mangueira, arame e até tela de galinheiro, conta. Outros objetos encontrados na calçada do parque também complementam a decoração. “Usamos folha, pedra, placa de coqueiro e semente. Coleto esses materiais ao longo do ano e fico pensando em como incluí-los no projeto”.
 
Dedicada, a cada Natal faz uma nova gracinha para que o presépio fique diferente do anterior. “E sempre fica lindo. É rústico, combina com o parque que é um lugar tão natural”, afirma Joana, sem falsa modéstia.