O tema da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2019 tem provocado discussões nas redes sociais. Neste ano, o candidato a uma vaga no ensino superior teve que colocar, no papel, argumentos para uma possível democratização do acesso ao cinema no Brasil. A proposta, para professores especializados, no entanto, foi vista com bons olhos.

"Imagino que muitos alunos se surpreenderam ao abrir o caderno da prova", disse Allana Matar de Figueiredo, professora de Redação e Linguagens do grupo Bernoulli. Segundo a docente, que também fez o exame, nem mesmo os apostadores imaginaram um recorte específico, mas que "sangue frio" e "tranquilidade" seriam decisivos para pensar em uma boa dissertação.

De acordo com ela, os textos de apoio continham pistas importantes, como dados de crescimento do público que assiste conteúdo por televisão ou, até mesmo, serviços de streaming, como Netflix, e como isso afetaria diretamente a arrecadação dos cinemas. "A coletânea apontava fechamento de cinemas em áreas periféricas, nas regiões afastadas, em cidades médias e pequenas", explicou.

Para Allana, o tema é importante nos tempos atuais. "Temos visto descrédito nos investimentos em educação e cultura. Por isso, é um assunto socialmente relevante, pois aponta para a valorização da cultura", ressaltou a professora. "E o candidato poderia dialogar com a Constituição Federal, que prevê acesso à cultura como direito de todo cidadão", completou. 

Em geral, ela classifica tanto a redação quanto as questões de Linguagens como "coerentes". "O formato, a estrutura, o tipo de questão. Estava muito parecido com o ano passado. Não houve mudança brutal do governo", esclareceu a professora, afirmando que, à primeira vista, o exame parecia mais fácil do que o dos anos anteriores. "Foi coerente com o que os alunos esperavam", classificou. 

Veja a entrevista: