A celebração do Natal não é apenas um momento para reencontrar familiares e amigos para confraternizar, mas também a oportunidade de falar dos sonhos que movem todos os dias milhões de pessoas em todo o mundo. Nas ruas de Belo Horizonte a história não é diferente. Basta um passeio atento para descobrir que a capital é repleta de sonhadores.

No cruzamento da avenida Afonso Pena com rua da Bahia, no hipercentro, a melodia de um sax tenor contrasta com a barulheira provocada por carros e ônibus. Sob calor escaldante, um homem de meia-idade toca clássicos e rouba a atenção de pedestres.

Alguns instantes de observação são suficientes para perceber o talento e o bom gosto do artista, reconhecidos também pelo público. A todo instante, pessoas depositam no pote colocado sobre a calçada pequenas quantias de dinheiro como forma de gratificação.

É assim que Adson de Almeida, autodidata de 54 anos, ganha a vida. Nem o sol a pino nem os ruídos ensurdecedores da região central conseguem tirar o fôlego do músico que, além da paixão pelo instrumento, afirma ser “movido por sonhos”. 

“Acho que a melhor maneira de comemorar o Natal é pisando na terra onde o aniversariante nasceu”, conta. “Minha realização nesta data seria poder viajar para Israel. Quero comprar as passagens e levar a esposa e minhas duas filhas. Tudo com o dinheiro que ganho tocando nas ruas”, projeta Adson de Almeida. 

Sax sonhos de natal

“A melhor maneira de comemorar o Natal é pisando na terra onde o aniversariante nasceu”, diz Adson 

Autoestima 

Próximo dali, na Praça do Papa, região Centro-Sul, a vendedora de cocos Sueli Silva, de 56 anos, trabalha diante de uma das vistas mais admiradas da metrópole. A paisagem, diz a comerciante, é uma motivação a mais para mentalizar desejos de dias melhores no Natal.

Com um sorriso estampado no rosto, Sueli relata que começa a jornada às 6h e vai até as 20h. Inspirada pelo cartão-postal, ela almeja um dia se dedicar mais à própria beleza. “Meu maior desejo neste momento especial é fazer uma ‘recauchutagem’, tratar dos meus dentes, pele e cabelo”, revela Sueli Silva. 

Para o empreendedor Valdeci Cardoso, dono de um bar na Serra, também na região Centro-Sul, a celebração do Natal é sinônimo de desejos não apenas pessoais, mas coletivos.

Sonhos de Natal
“Quero estar reunido com minha família, como todos os anos. Só isso basta”, ensina Bento

Ele explica que o maior presente que ele poderia receber seria ver a economia do país se recuperar. “Com o movimento voltando a crescer, todo mundo iria ser mais feliz. Com o trabalho, podemos gerar muitos frutos”, diz Valdeci Cardoso.

E de trabalho o Bento de Pádua entende. Aos 77 anos – 40 deles dedicados ao Parque Municipal como fotógrafo lambe-lambe –, ele conta que está por lá todos os dias, religiosamente, mesmo que demanda pelo serviço hoje seja pequena.

A difusão dos celulares com câmeras digitais praticamente tornou as fotografias instantâneas oferecidas por Bento um ofício em desuso. 
Questionado sobre o maior sonho de Natal, ele afirma com simplicidade que só deseja o que é “mais importante”. “Quero estar reunido com minha família, como todos os anos. Só isso basta”, reforça Bento de Pádua.

Natal dos sonhos
“Com o trabalho, podemos gerar muitos frutos”, almeja Valdeci, que espera uma recuperação na economia capaz de favorecer a todos