Pessoas com suspeita de Covid-19 que buscam socorro em hospitais particulares de Belo Horizonte têm aguardado até 4h pelo atendimento. A demanda elevada de pacientes já levou uma unidade de saúde a suspender a assistência pelo menos até segunda-feira. Situação preocupa médicos e reforça alerta sobre avanço da doença na capital.

Na maioria dos casos, o tempo mínimo de espera chega a uma hora e meia, conforme relato de pacientes e apuração do Hoje em Dia, em contato por telefone com atendentes. A associação que representa os hospitais diz que os espaços estão atentos aos números e que a assistência tem sido assegurada a todos. 

Em apenas 15 dias, ocupação de leitos em enfermaria e Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) na rede privada subiu 100%. De acordo com a prefeitura, essa foi a primeira vez, desde o início da pandemia, em março, que a taxa subiu de forma tão exponencial.

Diretor jurídico do Sindicato dos Médicos de Minas Gerais (Sinmed-MG), Maurício Meirelles, afirma que os números são ainda mais preocupantes quando comparados aos do Sistema Único de Saúde (SUS).

“Antes, o que estava ocorrendo era uma queda. Mas, nas últimas duas semanas tivemos avanço. O que chama atenção é que os dados do SUS quase não mudaram, mas nos hospitais privados houve crescimento”, disse. 

O Madre Teresa, na região Oeste de BH, suspendeu os atendimentos a pessoas com sintomas gripais ou suspeita de Covid na noite da quarta. A decisão foi tomada após a unidade atingir o limite na ocupação de leitos destinados a esses pacientes. A previsão é de retorno só daqui a três dias. Porém, o hospital permanece atendendo demais casos de urgência e emergência. 

A Unimed-BH reforçou que tem registrado aumento da procura nos hospitais da rede, recomendando a pessoas que, antes de se deslocarem, utilizar o serviço de consulta on-line ou fazer contato com o médico de referência. 

Já o Lifecenter garantiu que os atendimentos têm ocorrido normalmente, e que casos suspeitos e confirmados de coronavírus são mantidos isolados. O Mater Dei relatou que está estruturado e preparado para a demanda. O Hospital Felício Rocho não se posicionou sobre o assunto.

Acompanhamento
A Secretaria Municipal de Saúde diz manter o monitoramento constante dos indicadores da doença na cidade. “Qualquer agravamento que comprometa a capacidade de atendimento será tratado da forma devida, com o objetivo de preservar vidas”. 

Em relação aos índices, a Associação e Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Casas de Saúde de Minas Gerais (Central dos Hospitais), informou que há um gerenciamento do aumento da ocupação, de maneira adequada à necessidade do momento, e que os hospitais continuarão atentos aos números, visando uma visando uma assistência multidisciplinar dos pacientes. 

 

ALÉM DISSO


Minas se aproxima da marca de 10 mil mortes provocados pelo novo coronavírus. Nas últimas 24 horas, 46 óbitos foram confirmados no Estado. No mesmo intervalo, 3.338 casos foram atestados.

Os números estão no boletim epidemiológico divulgado ontem pela Secretaria de Estado de Saúde. Desde o início da pandemia, são 406 mil infectados e 9.904 vidas perdidas.

Belo Horizonte é a cidade com mais notificações. A capital soma 51 mil casos e 1, 6 mil mortes. Uberlândia, no Triângulo, aparece em seguida, com 37 mil infectados e 707 óbitos.

De acordo com o levantamento, a média de idade das pessoas que perderam a vida é 71 anos. Homens representam 57% das vítimas. Pelo menos 75% apresentavam alguma comorbidade.

Recuperação
Ainda segundo os dados da SES, 373.326 pacientes se recuperaram da doença. O governo acompanha 23.650 pessoas, internadas em unidades de saúde ou em casa, em isolamento.