A presença das chamadas superbactérias (micro-organismos resistentes à ação de antibióticos) em hospitais faz parte da rotina dos profissionais da saúde. Segundo especialistas, unidades que ainda não têm nem tiveram casos registrados certamente terão futuramente.

O episódio mais recente foi o do Hospital Municipal de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). Conforme o Hoje em Dia mostrou no último sábado, as cirurgias eletivas foram canceladas por causa da suspeita da ação da Klebsiella Pneumoniae Carbapenemase (KPC), uma das bactérias multirresistentes mais comuns. Exames laboratoriais ainda vão confirmar – ou descartar – a contaminação no Centro de Tratamento Intensivo (CTI) da unidade.

“As superbactérias são muito comuns em hospitais. Têm em todos em que eu trabalho. Não temos surtos, mas casos isolados. Os próprios médicos e enfermeiros podem levar de um lugar para outro”, afirma Helena Duani, médica infectologista do Hospital das Clínicas.

Origem

Segundo ela, o surgimento desses micro-organismos ocorre a partir do uso prolongado de antimicrobianos, que levam à criação de genes de resistência.

“Utilizamos muito um antibiótico de amplo espectro, que trata qualquer tipo de infecção. Geralmente, ele é ministrado no CTI – onde está a KPC – para tratarmos pacientes graves. Mas a bactéria acaba ficando resistente a ele, e, por isso, torna-se uma superbactéria”, explica Helena.

De acordo com o presidente da Sociedade Mineira de Infectologia, Estevão Urbano, uma das medidas de prevenção é a orientação dada aos médicos para que não haja prescrição abusiva de antibióticos. “É importante ter controle, porque o uso indiscriminado do medicamento favorece a contaminação. Temos que ser vigilantes”.

Casos em Minas

No mês passado, o Hospital de Clínicas de Uberlândia, no Triângulo, enfrentou um surto de contaminação pela superbactéria e precisou interditar a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para adultos e a UTI neonatal. Com 45 leitos fechados, no total, a prefeitura decretou estado de emergência em saúde pública por 180 dias.

Em Betim, na RMBH, o problema ocorreu em janeiro de 2013, no Hospital Público Regional (HPRB). À época, as internações eletivas foram canceladas e os pacientes em estado crítico foram transferidos para outras unidades. Para evitar nova contaminação, o HPRB monitora os pacientes e promove atividades educativas de promoção da higiene.

“Outra ação contínua é a auditoria do uso de antibióticos, em que é verificada a adequação das prescrições desse tipo de medicamento. A unidade conta, ainda, com uma Comissão de Controle de Infecções Hospitalares”, conforme nota da unidade de saúde.

“É bom que se diga que essas bactérias estão presentes em vários lugares do país e do mundo. Já é conhecida da classe médica. A KPC apareceu por último, por isso, está mais em evidência”, conclui Urbano.

“Em geral, a contaminação ocorre em pessoas internadas há muito tempo, não de um dia para o outro” - Helena Duani - Médica infectologista do Hospital das Clínicas