Os supermercados de Minas Gerais atribuíram os reajustes no preço de sete produtos alimentícios nos últimos dias ao valor cobrado por fornecedores. Tal movimento foi puxado pelo volume excessivo de compras pelos consumidores, muitos estocando produtos diante do isolamento social provocado pela pandemia do novo coronavírus..

Em carta aberta publicada nessa sexta-feira (27), a Associação Mineira de Supermercados (Amis) explica assim a alta nos preços do queijo, do leite, dos ovos, do feijão, do óleo, do arroz e do alho. 

“Essa pressão por aumentos ocorre neste momento de reposição de estoques. Com a alta demanda geral registrada no início do enfrentamento da pandemia, os estoques, que garantiriam abastecimento durante determinado prazo, foram rapidamente consumidos, o que gerou a necessidade de novas compras junto aos fornecedores. Com o excesso de demanda, os preços sofrem pressão. Os fornecedores alegam aumento de custos em seus insumos”, diz a associação, informando ainda que “os supermercados estão tentando exaustivamente negociar com seus fornecedores, mantendo a margem de comercialização, buscando evitar que os preços desses produtos sofram reajustes”.

A Amis também relatou ter enviado ofícios manifestando sua preocupação ao Procon-MG e o governo de Minas Gerais, bem como manter contato permanente com o governo federal.

Os consumidores são recomendados a evitar a formação de estoques em casa já que, segundo a associação, a demanda excessiva prejudica a negociação dos supermercados com os fornecedores por preços estáveis. Outra dica é que as pessoas substituam itens de sua rotina de compras, quando possível, e optem por marcas alternativas, para diminuir a pressão concentrada em determinados itens.

 

Confira abaixo a íntegra da carta aberta:

 

CARTA ABERTA AOS CONSUMIDORES MINEIROS

Aumento de Preços

A Associação Mineira de Supermercados (AMIS) vem esclarecer altas de preços que alguns produtos sofreram nos últimos dias:

1)    As empresas supermercadistas estão solidárias e trabalhando incansavelmente no enfrentamento da pandemia Covid-19. Os supermercados estão abastecidos e em funcionamento.

2)    O novo desafio tem sido enfrentar reajustes de preço de seus fornecedores.

3)    A pressão por aumentos de preços está concentrada principalmente nos seguintes produtos: laticínios em geral, ovos, feijão, óleo, arroz e alho.

4)    Essa pressão por aumentos ocorre neste momento de reposição de estoques. Com a alta demanda geral registrada no início do enfrentamento da pandemia, os estoques, que garantiriam abastecimento durante determinado prazo, foram rapidamente consumidos, o que gerou a necessidade de novas compras junto aos fornecedores. Com o excesso de demanda, os preços sofrem pressão. Os fornecedores alegam aumento de custos em seus insumos.

5)    Os supermercados estão tentando exaustivamente negociar com seus fornecedores, mantendo a margem de comercialização, buscando evitar que os preços desses produtos sofram reajustes. A reposição se faz necessária para evitar desabastecimento.

6)   Como elo final da cadeia de abastecimento entre os fabricantes e os consumidores, os supermercados apenas repassam o custo dos produtos que adquirem da indústria.

7)    A AMIS enviou ofícios ao PROCON-MG e ao Governo de Minas, manifestando sua preocupação em relação à pressão dos fornecedores por aumento de preços.  Ao mesmo tempo, a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) está mantendo permanente contato com o Governo Federal.

8)    A AMIS pede a colaboração dos consumidores para que evitem a formação de estoques domésticos.  Uma demanda excessiva prejudica a negociação dos supermercados com os fornecedores por preços estáveis.

9)    Recomenda também a substituição de itens de sua rotina de compras, quando possível, e/ou aquisição de marcas alternativas. 

Belo Horizonte, 27 de março de 2020

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