Diante do caso suspeito de uma criança de etnia indígena infectada pelo vírus da poliomielite notificado na Venezuela, o Governo de Minas Gerais reforçou as ações, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), para manter erradicada a doença no Estado. Entre elas a imunização de 95% das crianças menores de 5 anos; manter a vigilância epidemiológica de alta qualidade; notificar os casos suspeitos imediatamente; orientar a população a buscar uma unidade de saúde no caso de aparecimento dos sintomas, entre outras ações.

Considerando que a Venezuela e o Brasil fazem fronteira, havendo uma intensa migração de pessoas entre os países além das baixas coberturas vacinais contra a poliomielite, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) destaca a importância da vacinação e alerta sobre os cuidados para prevenção da doença.

Cobertura Vacinal

Em Minas, a cobertura vacinal geral contra a doença em 2017 foi de 83% em crianças menores de um ano e 74% para o reforço em crianças maiores de um ano. Em 2018, até o mês de maio, 67% do público prioritário recebeu a terceira dose da vacina e 54% das crianças maiores de um ano receberam a dose do reforço.

A cobertura vacinal acumulada contra a poliomielite só foi alcançada para a terceira dose, aos três anos de idade, e para o primeiro reforço, em crianças de quatro anos. As demais idades ficaram abaixo da meta, que é 95% do público-alvo vacinado. O público prioritário a ser vacinado no Estado, nesse ano, é de 253.480 pessoas.

Poliomielite

A poliomielite, também conhecida como paralisia infantil, é uma doença infecciosa, altamente contagiosa, provocada pelo poliovírus e afeta várias pessoas em todo o mundo. Apesar de a doença não ser registrada no país desde 1990, a responsável pela referência técnica estadual de poliomielite da SES-MG, Fernanda da Silva Barbosa, salienta que enquanto houver circulação do vírus, vacinal ou selvagem, em qualquer outro país há risco de reintrodução da pólio em nosso território. 

“Apesar da doença está erradicada no Brasil, ela ainda é presente em países da África, Ásia e Oriente Médio. A imunização contra a pólio é a responsável por manter a eliminação da doença no país. A vacina é segura, altamente eficaz, quando o esquema vacinal é feito de forma completa, e está disponível em toda a rede pública de saúde do Estado”, reforçou Fernanda.

Em contato com o corpo humano, o vírus multiplica-se no intestino podendo invadir o sistema nervoso central, levando a perda de massa muscular e causando paralisia. A transmissão pode ocorrer de pessoa para pessoa, por meio de alimentos e água contaminados ou pelo contato com gotículas de secreções como ao falar, tossir e espirrar. A principal forma de prevenção se dá pela vacinação.

A doença, na maioria dos casos, não leva a óbito, mas causa sérias lesões que afetam o sistema nervoso, provocando paralisia irreversível, principalmente nos membros inferiores. A doença pode ser fatal se forem infectadas as células dos centros nervosos que controlam os músculos respiratórios e da deglutição.

Mas como o vírus é transmitido principalmente pela via oral e por meio da água e alimentos contaminados, outras medidas que podem evitar a reintrodução e proliferação do vírus são: tomar medidas adequadas de higiene, como utilizar água filtrada para o consumo, higienizar sempre os alimentos antes do preparo, verificar se utensílios de mesa e cozinha estão limpos antes de usá-los, lavar sempre as mãos antes das refeições e depois de utilizar o banheiro. 

“Também é importante desenvolver na criança pequenos hábitos saudáveis de higiene, como lavar as mãos antes das refeições, só beber água tratada, por exemplo”, explica Fernanda Barbosa. Essas medidas ajudam a evitar a proliferação do vírus, mas não são tão eficientes quanto a vacina, que é a melhor maneira para evitar a poliomelite.

Variações do vírus

A pólio pode ser provocada por dois tipos de vírus, o selvagem (que está em circulação em alguns países da África, Ásia e Oriente Médio) e o vacinal, que é o tipo identificado no caso da criança venezuelana, citada no início da matéria. Segundo Fernanda da Silva Barbosa, o vírus vacinal é derivado da reversão do vírus vivo atenuado, utilizado na vacina oral contra a doença, dentro do intestino e acomete pessoas não vacinadas.

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