O depoimento do homem suspeito de assassinar o universitário Daniel Adolpho de Melo Vianna, de 22 anos, no último sábado (8), em uma calourada da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-Minas), foi marcado pelo silêncio. A oitiva foi realizada pela Polícia Civil nesta quarta-feira (12), mas P.H.C.L., de 29 anos, não respondeu nenhum pergunta feita pelos delegados.
 
A estratégia já tinha sido anunciada deste o dia da prisão do suspeito, pelo advogado de P.H.C.L. O jovem só deverá falar diante do juiz.
 
O crime
 
Daniel Adolpho de Melo Vianna foi morto por um disparo à queima-roupa na madrugada de 8 de agosto, quando participava de uma festa, em um bar no bairro Dom Cabral, região Noroeste de Belo Horizonte. Ele morreu no local.
 
Segundo o delegado Sidney Aleluia, da Central de Flagrantes da Polícia Civil (Ceflan), testemunhas relataram, em depoimento formal, que o jovem estava na fila do bar quando tudo começou. "O suspeito teria esbarrado nele, olhado para trás e, na sequência, sacado um revólver e atirado no rosto dele, à queima-roupa", detalhou o delegado. 
 
O suspeito do crime, P.H.C.L., de 29 anos, tentou fugir após o tiro, mas foi contido por outras pessoas na festa e preso em flagrante após a chegada da Polícia Militar. Durante a confusão, a arma teria sido entregue a um terceiro envolvido, ainda não identificado. O revólver não foi localizado.
 
P.H.C.L. foi enquadrado por homicídio duplamente qualificado (por motivo torpe e emprego de arma de fogo). O crime é considerado hediondo e tem pena prevista de 12 a 30 anos de prisão. "Ele também responderá por porte ilegal de arma e por efetuar disparo em via pública", completou o delegado. O suspeito tem passagem na polícia por porte ilegal de arma.
 
Daniel cursava o último período de Direito da Faculdade Pitágoras. Ele completaria 23 anos no fim de agosto.
 
Festa
 
A calourada acontecia no Bar do Rosa, tradicional ponto de encontro de estudantes da PUC Minas, na rua lateral ao campus Coração Eucarístico da universidade. Filho do proprietário, Gustavo Farias de Souza contou que a família adquiriu o bar há três anos e que problemas semelhantes nunca foram registrados no espaço.
 
O pró-reitor de Logística e Infraestrutura da PUC Minas, Rômulo Albertini, lamentou o episódio, mas ressaltou que a instituição não tinha envolvimento com a festa.
 
(* Com Raquel Ramos e Patrícia Santos Dumont - Hoje em Dia)