Robert Balbino Leonardi, conhecido como “Betinho”, e Maxmiller Ferreira da Silva, o "Max Cabuloso" foram condenados a 14 anos de prisão pelo assassinato de de R.G.B. e seis anos por tentativa de de homicídio contra outra vítima em setembro de 2009, em São José da Lapa, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). Conforme o Ministério Público, eles são acusados de integrar um grupo de extermínio que matou 21 pessoas entre 2004 e 2009 e, de acordo com a decisão do Tribunal do Júri, a dupla não poderá recorrer em liberdade.
 
Durante o julgamento, presidido pelo juiz Glauco Eduardo Soares Fernandes, todas as testemunhas foram ouvidas por carta precatória. Já os réus negaram as acusações em depoimento no Fórum Lafayette e disseram que estavam em locais diferentes de onde aconteceu o assassinato. "Max Cabuloso" disse ainda que soube do crime por telefone e que mentiu em outro depoimento porque temia pela segurança da família. 
 
Max confirmou também que que já havia sido preso e condenado em outro processo por tráfico de drogas e que, da pena de dois anos e seis meses, ficou nove meses preso. Já "Betinho" alegou que no momento do crime estava com uma namorada em um motel da cidade e reafirmou que não conhecia nem de vista nenhuma das vítimas.
 
Entretanto, de acordo com o promotor Herman Lott, os dois jovens integravam uma quadrilha de tráfico de drogas na região e ameaçavam a população. Segundo o representante do MP, a morte de R.G.B. tinha o objetivo consolidar a hegemonia do grupo no tráfico de drogas na região e ressaltou que a quadrilha determinava horários para o recolhimento da população, numa espécie de toque de recolher, e tinham uma lista de jurados de morte. 
 
Através de depoimentos, o promotor demonstrou ainda que algumas provas foram forjadas para encobrir a participação de "Betinho" no crime, tanto na oficina mecânica onde ele teria levado o carro, quanto no motel onde estaria na data do crime, e que houve coação e ameaça de testemunhas, destacando a violência da quadrilha contra as testemunhas que depuseram contra eles.
 
Ainda na fase de debates, a defesa de Maxmiller alegou que ele tinha uma forte amizade com a vítima e que não estaria armado na ocasião do assassinato, enquanto os advogados de Robert sustentaram a tese de que o réu nunca tinha sido investigado ou indiciado por tráfico de drogas. Além disso, a defesa alegou que os depoimentos colhidos não eram confiáveis e que as investigações são contraditórias.
 
Os condenados estão detidos desde fevereiro de 2010 e esse é apenas mais um caso envolvendo os dois réus na disputa pelo domínio do tráfico de drogas em São José da Lapa e região. Ainda conforme as investigações, a quadrilha da qual os acusados faziam parte era liderada pelo ex-cabo da Polícia Militar (PM), Rodney Balbino Leonardi, que ainda não foi julgado.