Minas tem 129 municípios em situação de emergência por conta da estiagem, 34 cidades em alerta devido ao calor e um sem-número de localidades sofrendo com as queimadas. A seca, o tempo quente e os incêndios castigam praticamente todas as regiões do Estado. O cenário crítico, que agride o meio ambiente e pode até matar, deve durar pelo menos até o fim de outubro.

Belo Horizonte teve um pequeno alivio ontem, com huvas isoladas em alguns bairros. Porém, os primeiros dias do mês ainda prometem muito calor, com previsão de mais um recorde de temperatura amanhã, com termômetros em 38ºC. Até então, o dia mais quente da história da metrópole foi domingo passado, com 37,8ºC.
A previsão é do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), órgão que também ontem assustou muita gente ao lançar um comunicado de “grande perigo” em razão da onda de calor no Sudeste, Centro-Oeste e no Tocantins.

O alerta, que vale até sexta-feira, mostra que algumas cidades têm registrado temperatura maior que 40ºC – são cerca de 5ºC acima da média histórica. Os perigos à saúde vão de uma desidratação à hipertermia, que pode levar à morte. Por aqui, o risco é maior para 34 cidades, sobretudo do Triângulo Mineiro. 

Saúde
O organismo sofre para se adaptar a essas condições, alerta a especialista em Clínica Médica da Santa Casa de Belo Horizonte Télcia Vasconcelos. “Temos que ter uma temperatura corporal em constante harmonia com a do meio ambiente”.

A transpiração excessiva, que leva à perda de íons, como sódio e potássio, pode ocasionar uma desidratação, que, se não for corrigida, tende a gerar insuficiência renal. “Atendemos a várias pessoas, principalmente idosos, em que o rim para de funcionar e é preciso fazer diálise”, adverte a especialista.
Já a hipertermia, explica a médica, é uma complicação da desidratação, podendo prejudicar o “funcionamento do organismo, podendo causar lesões na pele, nos rins, no pulmão”.

Hidratação
Além dos maiores de 60 anos, crianças também preocupam. “Elas se esquecem de tomar enquanto o idoso perde a sensação de sede”, acrescenta a médica.

A quantidade de água que se deve beber neste calor, ensina Télcia, deve ser de pelo menos dois litros ao dia. Se a pessoa trabalha e fica exposta ao sol, perde mais líquidos, precisando de mais quantidade.
(Com informações de Gledson Leão, Renata Evangelista e Luisana Gontijo)

PALAVRA DE ESPECIALISTA

O climatologista Ruibran dos Reis, do Climatempo, diz que é grande a probabilidade de a temperatura bater novo recorde em Belo Horizonte, chegando aos 38ºC, entre quinta e sexta-feira. O especialista explica que isso se deve a uma grande massa de ar quente que está atuando pelo Estado. Com isso, a umidade relativa do ar piora ainda mais, podendo ficar abaixo dos 20% - o recomendado pela Organização Mundial de Saúde é 60%.