Por conta do risco iminente de rompimento, técnicos da Vale se "aventuraram" para ler manualmente equipamentos que medem a estabilidade da barragem Sul Superior da mina Gongo Soco, em Barão de Cocais, na Grande BH. De helicóptero, eles descem até a estrutura por cordas, fazendo rapel. Existe, no local, restrição de acesso dos empregados, já que a barragem se encontra no nível 3 de risco desde fevereiro. 

Segundo a própria mineradora, a leitura manual dos piezômetros (equipamento para medir pressões estáticas) e a manutenção destes dispositivos, com cortes de grama pontuais na barragem, tiveram duração de 15 dias, entre 25 de maio e 8 de junho. A empresa não divulgou detalhes dos números obtidos, mas alegou que as leituras tiveram valores "dentro da normalidade". 

"Durante o trabalho com apoio de helicóptero, a restrição do espaço aéreo é necessária por questões de segurança, para manobras e rotas de fuga da aeronave para evacuação em caso de emergência.  A Vale está mantendo os órgãos competentes informados sobre as ações", informou a mineradora. 

Para a medição, o helicóptero paira próximo aos piezômetros e dois especialistas, treinados para esse tipo de ação, descem de rapel até a barragem, permanecendo atracados à aeronave por corda. Em caso de emergência, os profissionais seriam içados imediatamente pelo piloto. "Importante destacar que o trabalho com a utilização de helicóptero passou por vários testes prévios e foi homologada pela ANAC", disse a Vale.

Apesar da medição manual, a barragem Sul Superior continua sendo monitorada por radares, estações topográficas robóticas e piezômetros automatizados, além de vistorias com o uso de drones. 

Ação acontece também em outras barragens

Ainda conforme a Vale, a mesma medida, com o içamento dos técnicos pela aeronave, também foi realizada na barragem B3/B4, da mina Mar Azul, em Macacos, entre os dias 12 e 18 de junho.

Já na última quinta-feira (20), estas atividades foram iniciadas nas barragens Forquilhas I e III, na Mina Fábrica, em Ouro Preto, com previsão de término no dia 27. As duas estruturas também se encontram no nível máximo de risco. 

Leia mais:
Movimentação de talude em Barão de Cocais sobe para 51,8 cm por dia
Vale simula resgate de helicóptero com funcionários da mina de Gongo Soco
Promotores e defensores contestam liberação do consumo de pescados do rio Doce