Guardas municipais de Ouro Preto desfizeram, na madrugada deste domingo (21), um tapete de serragem feito em homenagem à Marielle Franco, vereadora do Rio de Janeiro executada em março do ano passado. A ação dos agentes chamou a atenção das pessoas presentes, que manifestaram repúdio à atitude. A prefeitura afirmou que o cônego da cidade solicitou que qualquer tapete "não devocional" fosse desfeito.

Em um vídeo que circula nas redes sociais e nos aplicativos de trocas de mensagens, três guardas municipais espalham, com os pés, o resíduo que remontava um tributo à parlamentar, ativista dos direitos humanos. Inconformado, um grupo de pessoas gritou palavras de ordem.

"Ninguém vai chutar. Respeito à comunhão e à liberdade das pessoas", pediu um homem aos guardas municipais. Também na gravação, outras pessoas gritam "Marielle, presente" e aumentam o tom contra o presidente Jair Bolsonaro. Nas redes, usuários pediram a identificação dos homens que desfazem os tapetes.

Procurada, a Prefeitura de Ouro Preto informou que, a pedido do cônego Luiz Carlos César Ferreira Carneiro, do Santuário Nossa Senhora da Conceição, todo tapete que não fosse devocional poderia ser desmanchado, "pois é um momento religioso". "Qualquer imagem que não seja devocional é falta de respeito às tradições ouro-pretanas centenárias", anunciou.

O Executivo da cidade histórica também encaminhou um áudio, que teria circulado nas rádios locais, em que o religioso faz um pedido: "No domingo da ressurreição, ao longo da história de Ouro Preto, em seus mais de 300 anos, usa-se os tapetes para que a procissão do santíssimo sacramento possa passar".

"O motivo é logicamente devocional. Temos que olhar para os tapetes com objetivo devocional e prestar nossa homenagem a Jesus Cristo", acrescenta o cônego.