Desde o final do ano passado, usuários do transporte metropolitano da Grande BH estão pagando, em média, 12,89% mais caro pela tarifa dos ônibus, chamados de vermelhões. As melhorias no sistema, no entanto, estão na contramão do aumento das passagens.

Do total de 2.946 veículos, dois terços têm monitoramento por GPS. A previsão da Secretaria de Estado de Transportes e Obras Públicas (Setop) não é otimista: só no final do ano que vem o restante da frota contará com a mesma tecnologia.

Em nota, a Setop reconhece a demora no processo. O sistema GPS é fundamental para o funcionamento de painéis eletrônicos e de aplicativos para celular com informações sobre horários dos ônibus, como é feito na capital. Na região metropolitana, no entanto, o benefício dessa tecnologia não estará disponível antes de 2018.

“Somente após a conclusão da implantação (do GPS) em toda frota e homologação do rastreamento será possível trabalhar o desenvolvimento de um aplicativo que permita ao usuário saber a proximidade do ônibus. Um passo fundamental para a melhoria de um sistema que passou décadas estagnado”, informou a Setop.

Sem perspectiva

A criação de um bilhete único nos municípios vizinhos à capital é outra demanda antiga da população, e sem definição. Prometida em campanha pelo atual governador Fernando Pimentel, a unificação dos cartões de ônibus na Grande BH permitiria desconto na tarifa de quem usa mais de uma condução, mas não saiu do papel.

Conforme a Setop, as atividades necessárias para a integração dos sistemas de bilhetagem eletrônica já foram iniciadas e o Estado vem discutindo o assunto com gestores municipais. A BHTrans confirmou as negociações, mas diz que “no momento não há previsão para início da integração”. A Transcon, empresa de trânsito de Contagem, afirmou que participa dos debates e que “os encontros são para avaliar as propostas”.

Pouco usado em BH, aplicativo que informa tempo de espera no ponto está longe das cidades vizinhas

A adesão ao SIU Mobile BH, aplicativo que aponta em quanto tempo os ônibus vão chegar aos pontos, ainda é tímida na capital. Da média diária de 1,5 milhão de passageiros, pouco mais de 50 mil fizeram o download da ferramenta, lançada em dezembro último, segundo a BHTrans.

Quem já descobriu os benefícios da plataforma, no entanto, não quer mais ficar sem o recurso. Para o autônomo Hugo Henrique de Souza, de 31 anos, a desconfiança é um dos motivos para a baixa adesão. Mas, para ele, o mecanismo foi uma grata surpresa. “Acho que o pessoal tem medo de dar errado, não quer arriscar e prefere ir para o ponto esperar o ônibus. Mas toda vez que eu utilizo dá muito certo”, afirma.

Morador do bairro Camargos, Noroeste de BH, na divisa com Contagem, Souza lamenta pelo fato de o aplicativo ainda não ter chegado à cidade da região metropolitana. “Eu tenho a opção de pegar ônibus nos dois municípios e acho ruim ter o aplicativo apenas no sistema da BHTrans”, avalia.

Morosidade

Para o professor de Engenharia de Transportes e Trânsito da Universidade Fumec, Márcio Aguiar, o mecanismo já deveria ter sido expandido a outros municípios mineiros.

“Estamos demorando muito para usar o sistema em tempo real de acompanhamento dos ônibus. Hoje, isso é uma coisa muito barata, mas não fizemos nosso dever de casa de acompanhar o avanço tecnológico. Em qualquer parte do mundo, há muito tempo isso acontece”, afirma o especialista.

De acordo com Andréia Santos, professora do Departamento de Ciências Sociais da PUC Minas, doutora em sociologia e especialista em trânsito, esse desequilíbrio entre municípios é comum e gera atrasos. “Tudo que é intermunicipal tem mais dificuldades. As prefeituras que compõem a Região Metropolitana de BH não destinam recursos de forma igual para resolver essas questões. Isso prejudica a população, que sai do foco e perde a atenção do poder público”.

Desinformação

Hoje em Dia tentou levantar o valor investido no Projeto SITBus, que engloba o SIU Mobile BH. A BHTrans informou apenas que “todos os custos foram imputados às Concessionárias do Transporte Coletivo de Belo Horizonte”.

O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de BH foi procurado duas vezes, mas não respondeu os questionamentos da reportagem.