O tatuador Leandro Alves Caldeira, que foi acusado por pelo menos 19 mulheres de assédio sexual, será ouvido pela Justiça mineira pela primeira vez nesta quarta-feira (3). O homem, de 44 anos, prestará depoimento no Fórum Lafayete, em Belo Horizonte, às 13h30. Ele está preso desde março deste ano quando vieram à tona as denúncias dos supostos abusos, que teriam ocorrido no estúdio de tatuagem do profissional, na região da Savassi, Centro-Sul da capital.

No fim do mês passado, a 3ª Vara Criminal BH realizou a primeira audiência de instrução do caso. Na época, várias testemunhas de acusação foram ouvidas pelo juiz responsável pela ação. O processo corre em segredo e, por isso, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) não informou o conteúdo do depoimento das vítimas nem se somente o tatuador será ouvido nesta quarta.

O caso

As denúncias contra Leandro, que era bastante conhecido no ramo, começaram no início do ano depois que a ativista Duda Salabert fez uma postagem no Instagram sobre a preferência de tatuar com profissionais mulheres. Depois do post, ela recebeu várias mensagens sobre os supostos abusos.

A delegada Larissa Mascotte investigou o caso e indiciou o tatuador por violação sexual mediante fraude contra 19 vítimas. O crime também é conhecido como estelionato sexual. Caso surjam novas denúncias, um novo inquérito será aberto. Leandro foi preso no dia 31 de março, em Lagoa Santa, na Grande BH, depois da conclusão do inquérito. 

O crime

O crime de violação sexual mediante fraude consiste em ato de conjunção carnal ou ato libidinoso mediante o uso de meio que impeça ou dificulte manifestação de vontade da vítima. "Ele se utilizou de manobras enganosas para fazer com que as vítimas acreditassem que aqueles abusos fossem necessários para o procedimento de tatuagem", explicou a delegada. Para este tipo de crime, a pena é de 2 a 6 anos por delito.   

(*) Com Juliana Baeta

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