Principal causa de cegueira irreversível em adultos acima dos 50 anos, a degeneração macular relacionada à idade (DMRI), doença ocular crônica degenerativa que acomete cerca de 10% das pessoas acima dos 60 anos, poderá ser enfrentada com menos desconforto para o paciente, mais eficácia e menor custo. E a pesquisa que chegou a esse tratamento carregado de esperança contra a doença é desenvolvida em Minas Gerais, na Fundação Ezequiel Dias (Funed).

As previsões apontam que, neste ano, 200 milhões de pessoas no mundo terão degeneração macular, que causa danos à área central da retina, região responsável pela alta resolução da visão. Em 2040, serão 300 milhões de pacientes. O estudo desenvolvido na Funed, sob coordenação da farmacêutica e doutoranda em Nanotecnologia Farmacêutica Carolina Guerra, acaba de patentear o “Implante biodegradável revestido por nanofibras poliméricas para administração intraocular de fármacos”, uma inovação mundial, voltada ao enfrentamento da degeneração macular.

Carolina Guerra explica que a grande novidade desse implante biodegradável e revestido por nanofibras é que permite a administração de dois fármacos, simultaneamente, no olho afetado. Com apenas 0,43 milímetros de diâmetro e de 4 a 6 milímetros de comprimento, o implante criado na Funed é colocado no olho com o uso de cânulas. Através dele, os medicamentos necessários ao tratamento vão sendo liberados gradativamente.

Outra inovação, segundo Carolina Guerra, é que o dispositivo aplica doses menores de fármacos que outros similares existentes no mercado. Com isso, conta ainda a farmacêutica, há menos efeitos colaterais. E o novo equipamento tem também a vantagem de ser biodegradável, dispensando qualquer tipo de intervenção para a sua retirada. À medida em que é usado, vai se degradando no organismo do paciente.

Outra expectativa de Carolina Guerra é que a adesão ao tratamento com esse novo implante seja maior, tanto por ele gerar menos desconforto quanto pela previsão de que venha a custar menos. 

INJEÇÕES

A pesquisadora revela que um dos tratamentos mais comuns para a degeneração macular são injeções intravítreas, que, além de gerarem desconforto, têm alto custo, podem causar inflamação ocular e descolamento de retina. E há outros implantes no mercado, segundo ela, mas nenhum que permita o uso simultâneo de dois fármacos e em doses menores, menos agressivas.

Para a chegada desse novo implante ao mercado, Carolina Guerra conta que faltam algumas fases na pesquisa. Ela diz estar começando estudos em animais. Em seguida, será a fase de estudos com pacientes humanos. Só depois de tudo isso o implante poderá ir para o mercado. “Nossa expectativa é terminar uma boa pesquisa, para ver se conseguimos uma indústria que fabrique o produto futuramente”, pondera.
 

Implante ocular

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