A principal linha de investigação da Polícia Civil de Minas Gerais sobre o tiroteio entre policiais civis paulistas e mineiros em Juiz de Fora, na Zona da Mata, aponta para uma ação de estelionato que não deu certo. O confronto deixou um policial mineiro morto e dois empresários feridos. Quatro agentes paulistas foram presos e R$ 15 milhões, apreendidos, sendo que parte do dinheiro seria falso.

O delegado Armando Avólio Neto, encarregado do caso, afirmou que "é golpe", ao ser questionado se haveria possibilidade de o dinheiro ter relação com pagamento de caixa 2 a campanhas eleitorais. A transação milionária que terminou em tiroteio ocorreu na última sexta-feira (19), no estacionamento de um hospital em Juiz de Fora.

Entenda

Conforme as investigações, um empresário paulista seguiu de helicóptero para Juiz de Fora, onde trocaria dólares por reais com um empresário mineiro. Para fazer a transação, ambos contrataram seguranças "vips". O paulista estava escoltado por nove seguranças, sendo oito policiais de SP. Já o mineiro estava recebendo a proteção de policiais civis de Minas.

Durante a transação, porém, um dos empresários constatou que parte do dinheiro era falsa, momento em que teve início o tiroteio. Com os envolvidos foram encontrados R$ 15 milhões, sendo que R$ 14 milhões eram em notas falsas. O empresário paulista deixou a cena do crime em uma aeronave particular com destino a São Paulo. Dias depois ele se apresentou à Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo e negou que estivesse fazendo uma transação ilegal.

Com os envolvidos na ocorrência foram apreendidos rádios comunicadores e coletes, armas de grosso calibre - 380, 40 e 45 -, carregadores e munições, além do dinheiro falso. O crime ocorreu por volta das 16h30 de sexta-feira (19) no estacionamento do Hospital Monte Sinai. Parte da ação foi registrada por câmeras de segurança e as imagens serão analisadas pela Policia Civil de Minas.

Investigação

O caso está sendo investigado pela Polícia Civil de Minas, que aguarda o laudo da perícia do local e da necropsia do policial morto. A corporação de São Paulo também abriu inquérito para apurar a conduta dos agentes lotados naquele Estado, que faziam "bico" trabalhando como segurança particular. O Ministério Público de Minas também criou uma força-tarefa para acompanhar as investigações.

O advogado dos policiais paulistas, Leonardo Pantaleão, diz que seus clientes estavam em Minas para fazer um serviço extraoficial, o chamado bico, o que configura infração administrativa. "Mas nenhum deles efetuou nenhum disparo de arma." Segundo Pantaleão, os policiais foram contratados pelo dono de uma empresa de segurança para escoltar um empresário que "faria um negócio" em Juiz de Fora.

As Secretarias da Segurança Pública de São Paulo e de Minas negociam uma possível transferência dos policiais civis presos de BH para a capital paulista. O secretário Mágino Alves, de São Paulo, disse que enviou ofício ao colega informando que, se houver necessidade, o presídio específico para policiais poderia recebê-los. O secretário Sérgio Barbosa Menezes, de Minas, afirmou que o "pedido de São Paulo está sendo analisado". "No ofício, a polícia (paulista) se compromete a apresentar os presos em todos os atos do processo", disse Menezes.

*Com Estadão Conteúdo

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