Um toque de recolher imposto por um traficantes e a ação da Polícia Militar na Vila da Paz, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, motivaram um protesto de moradores na tarde desta quarta-feira (22).

Segundo uma moradora, que prefere não ser identificada, o comércio não abre desde essa segunda-feira (21).  “Nós estamos pedindo apenas os nossos direitos como segurança e alimentação. Não tinha nada aberto para comprar leite ou pão”, disse uma das coordenadoras do movimento.

Ainda de acordo com ela, há mais de uma semana os policiais estão 24 horas dentro da favela, vasculhando casas, carros e pedindo documentos de todos que circulam pela região. “Todos ficam com medo de sair de casa. Eles revistam até crianças e acho tudo isso um abuso de autoridade”.

A comunidade se uniu durante a tarde e fez uma passeata por várias ruas da região. Eles chegaram a fechar as avenidas Benjamim Guimarães e Tereza Cristina com cartazes e faixas pedindo “direito de ir e vir” e “paz na vila”.

Segundo o tenente-coronel Hansen, comandante 39º BPM, a região é alvo da Operação Excalibur desde a última sexta-feira (17), após o registro de três homicídios relacionados ao tráfico de drogas no aglomerado.

Ele acredita que a presença dos policiais esteja sufocando o tráfico de drogas, o que pode estar gerado represálias, mas garante que a repressão contra o crime vai continuar. “99% da população é favorável à nossa ação e vamos continuar no local com grande efetivo para garantir a segurança de quem quer trabalhar”, conclui Hansen.

Ainda de acordo com o tenente-coronel, o setor de inteligência da Polícia  Militar está investigando de onde está partindo as ordens para o fechamento do comércio.