Enraizado nos grandes centros urbanos, o problema da mobilidade urbana vem se tornando desafio também para os gestores dos municípios mineiros de pequeno e médio portes. Em várias cidades, as melhorias na acessibilidade e na fluidez do trânsito esbarram no traçado antigo e no crescimento desordenado, herança que “empurra” motoristas para ruas estreitas, sem vagas de estacionamento e com sinalização deficiente.

Não bastasse o traçado limitado, o aumento crescente da frota, fenômeno em todo o Brasil, agrava ainda mais a situação. Até mesmo em Governador Valadares (Leste do Estado), que tem 260 mil habitantes e é famosa pelo número de bicicletas – cerca de duas por morador –, o número de carros saltou de 67 mil em 2009 para 122 mil neste ano. Falta espaço para tanto carro.

Uma das estratégias para aliviar o caos no trânsito, revela o secretário de Serviços Urbanos da cidade, Seleme Hilel, é ampliar os 15 km de ciclovias para 35 km e interligá-las ao transporte público. Além disso, é estudada a construção de um corredor exclusivo para ônibus e drenagem das ruas do Centro, que ficam inundadas quando chove, congestionando o trânsito. O projeto está orçado em R$ 97 milhões.

“A licitação para o estudo e o projeto será feita em agosto e a execução começa no início de 2015”, assegura Hilel. Os recursos são pleiteados junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

TEÓFILO OTONI

Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri, tem metade do número de habitantes de Valadares, mas as ruas estreitas impedem um fluxo melhor do trânsito. As principais, Epaminondas Otoni e Getúlio Vargas, por exemplo, têm sete metros de largura e reduzem ainda mais em alguns pontos. O tamanho, de acordo com a prefeitura da cidade, é inadequado.

Os moradores enfrentam, diariamente, problemas comuns nas metrópoles: lentidão no trânsito, longos congestionamentos, falta de vagas para estacionar e desrespeito à sinalização. Hoje, são 47.753 veículos em circulação, 1.066 a mais do que em 2013. O número não considera a frota flutuante de 86 municípios próximos.

Ipatinga tenta soluções para modais de transporte

A busca por melhorias para a circulação de veículos, ciclistas e pedestres também desafia os gestores de Ipatinga, no Vale do Aço. Na cidade com 130 mil veículos e 253 mil habitantes, técnicos do Departamento de Transporte e Trânsito se debruçam sobre um Plano Municipal de Mobilidade Urbana.

O estudo vai apontar soluções para os diversos modais de transporte – plano exigido pelo governo federal, que instituiu, em 2012, a Política Nacional de Mobilidade Urbana – apontando diretrizes para que os municípios se ajustem à legislação em três anos.

Uma proposta é ampliar o estacionamento rotativo – hoje com 1.700 vagas. Outra é discutir com a população a nova concessão do transporte público. “A intenção é dar comodidade e qualidade ao usuário do serviço”, explica o secretário de Serviços Urbanos e Meio Ambiente, Gustavo Finocchio.

Segundo ele, nos próximos dias serão retomadas obras em 45 km de ciclovias. Além disso, a Prefeitura busca recursos junto ao governo federal para modernizar o sistema viário e construir vias. Três alças viárias vão ligar Ipatinga às BRs 458 e 381.

Em médias cidades, as mudanças já vem sendo pensadas

Varginha, no Sul de Minas, tem problemas semelhantes às cidades do Leste mineiro, mas algumas mudanças já estão pontuadas. Serão feitas após a revisão do Plano Diretor, atualmente em tramitação na Câmara Municipal.

O vice-prefeito e secretário de Planejamento Vérdi Lúcio Melo acredita que pouco poderá ser feito no Centro – que vem sendo revitalizado –, mas assegura que a nova forma de loteamento trará novos traçados, com ruas e avenidas mais largas. Varginha tem 65 mil veículos em circulação, média de um para cada dois habitantes. “A cidade não foi planejada, não tem padronização. Além de ter muitos morros, suas ruas foram construídas para carros de boi”, analisa.

Ainda segundo Melo, desapropriações estão em estudo para alargamento das ruas com menos de dez metros de largura e obras sendo tocadas para a construção de rampas elevadas e sinalização coordenada. A antiga linha férrea que corta o município será transformada em ciclovia, obra orçada em R$ 5 milhões.

OPÇÃO

Em Montes Claros (Norte), uma das maiores cidades mineiras, com 380 mil habitantes e população flutuante de mais de 500 mil, tramita, na Câmara, um projeto de lei que vai permitir a abertura de uma Parceria Público-Privada (PPP) para a construção de um Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). Uma empresa do ramo já se mostrou interessada em executar o projeto segundo a prefeitura. Os recursos serão pleiteados junto ao BNDES. Assim como outras cidades de médio porte do país, Montes Claros tem procurado corrigir falhas provocadas pelo crescimento desordenado com intervenções como padronização de calçadas no Centro, pavimentação de ruas e construção de corredores para o transporte coletivo.

Na semana passada, a prefeitura publicou edital para licitação de asfaltamento de diversos bairros da cidade. Os recursos são municipais e da ordem de R$ 53 milhões.

Lei Federal de diretrizes para a mobilidade

A lei que institui a Política Nacional de Mobilidade Urbana foi sancionada em 2012 com o objetivo de integrar os diferentes modais de transporte e melhorar a acessibilidade e a mobilidade de pessoas e cargas nos municípios.

São atribuições das cidades: planejar, executar e avaliar a política de mobilidade urbana, regulamentando os serviços de transporte urbano; prestar os serviços de transporte público coletivo urbano, de caráter essencial; e capacitar pessoas e desenvolver as instituições vinculadas à política de mobilidade urbana do município.