Três a cada dez vans escolares que circulam na capital mineira são reprovadas em vistorias realizadas pela BHTrans. Entre os problemas mais comuns estão a ausência de equipamentos obrigatórios, falhas no sistema elétrico e até defeitos na suspensão e nos freios dos veículos. 

Com o retorno das aulas no segundo semestre, a orientação é para que os pais fiquem atentos ao contratar o serviço. Observar se o transporte tem selo de vistoriado, emitido pelo órgão, é o principal indicador de que foi supervisionado.

Muitas falhas que podem colocar em risco a integridade física dos estudantes passam despercebidas, observam especialistas. As mais comuns, segundo a fiscalização, estão nas portas, que não podem abrir pelo lado de dentro, nas janelas, que precisam ter abertura máxima de 15 centímetros, e nos extintores de incêndio, que muitas vezes estão sem pressão, descarregados ou vencidos. 

A frota atual de escolares em Belo Horizonte conta com 1.844 micro-ônibus e vans, 365 ônibus e nove Kombis. O número de problemas nesses veículos, no entanto, é muito maior.

Nos primeiros sete meses deste ano foram encontradas 2.735 irregularidades apenas no sistema elétrico dos que foram inspecionados, de acordo com a BHTrans. Além disso, foram 766 falhas em pneus, aros e rodas e 666 no motor.

Caso não compareça à vistoria, o motorista é multado em R$ 293,24. Se o condutor insistir em rodar sem a supervisão, o valor dobra e o carro é apreendido

Crise

As dificuldades financeiras de grande parte dos responsáveis pelo transporte escolar em BH também contribuem para as reprovações nas vistorias, já que muitos não conseguem fazer a manutenção dos veículos. Quem afirma é o presidente do Sindicato dos Transportadores de Escolares da Região Metropolitana (Sintesc), Carlos Eduardo Campos.

Ele diz ainda que, apesar do número de alunos matriculados na rede privada apresentar queda, as autorizações para novas vans circularem continuam sendo liberadas pela prefeitura sem um estudo prévio que avalie a demanda da cidade. 

“Isso gera essa concorrência predatória que prejudica a todos. O município tem cerca de 1.800 escolares circulando, mas não precisaria ter mais de 1.300”. 

Profissionais do ramo afirmam estar desanimados. Motorista há mais de duas décadas, Otacílio Geraldo Miranda, de 56 anos, transporta dez crianças, embora o carro que dirige tenha 15 vagas. Ele conta que, assim como muitos colegas, pensa em deixar o trabalho devido ao baixo retorno financeiro. “Ano que vem vou levar aluno só para a faculdade. Escola não está rendendo mais. O movimento aqui caiu pela metade”, diz. 

A BHTrans foi questionada sobre os estudos prévios para a liberação de novas autorizações para o transporte escolar, mas não se posicionou até o fechamento desta edição.

Transporte escolar