Três campanhas de saúde colorem Belo Horizonte neste mês. As cores dourado, verde e amarelo simbolizam ações de prevenção do câncer infantil, o incentivo à doação de órgãos e a prevenção ao suicídio, respectivamente.
 
No caso das crianças, a principal motivação da campanha é a dificuldade na identificação do problema, segundo a oncopediatra da Oncomed BH Fernanda Tibúrcio. “Com os pequenos é diferente dos adultos, que têm campanhas e exames específicos, como dos cânceres de mama, útero e próstata. Para as crianças, não temos isso. Não é por falta de recursos, é porque não existem métodos mesmo”, lamenta.
 
Atualmente, os diagnósticos mais frequentes na capital são de leucemia (dos 5 aos 10 anos), tumores ósseos (na adolescência) e de retinoblastoma, um tipo de tumor ocular (em lactentes até 2 anos).
 
De acordo com a médica, o quanto antes essas doenças forem identificadas maiores serão as chances de cura dos pacientes. “Os casos de cânceres têm aumentado de maneira geral, em todas as faixas etárias. Os pais devem sempre levar em conta as queixas das crianças, porque é comum identificarmos tumores abdominais em estágio avançado, porque foram tratados como verminose, por exemplo”, alerta a oncopediatra.
 
A atenção deve estar voltada, principalmente, para manchas roxas em locais incomuns do corpo, como abdômen e costas, surgimento de ínguas e febres recorrentes, que não cessam após cinco dias.
 
Doação de órgãos
 
Outra campanha que ilumina o obelisco da Praça 7, no Centro de BH, e o prédio da Santa Casa, na área hospitalar, é a de incentivo à doação de órgãos em Minas Gerais. A iniciativa, lançada em todo o Brasil no ano passado, chega ao Estado pela primeira vez.
 
“Setembro é o mês do doador de órgãos (dia 27 é a data oficial), por isso a campanha acontece nessa época. É uma medida importante, porque as pessoas precisam conversar entre si. Não adianta deixar nada por escrito, essa vontade tem que ser manifestada diante dos familiares”, explica o diretor do MG Transplantes, Omar Lopes Cançado Júnior.
 
De janeiro até agora, foram feitos 1.437 transplantes de órgãos e tecidos em Minas, volume considerado estável na comparação com igual período do ano passado, conforme Cançado Júnior. A fila de espera também não sofreu grandes alterações. No momento, 28 pessoas aguardam um coração, 248 esperam por córneas, 35 por fígados, 2.650 por rins e 32 por rins/pâncreas.
 
“Minas é um dos Estados que mais faz transplantes no Brasil. Estamos em terceiro lugar em números absolutos, perdendo apenas para São Paulo e Rio de Janeiro. Já o país tem o maior programa público de transplantes do mundo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. Mas, lá, os procedimentos são feitos por meio dos seguros de saúde”, ressalta o diretor do MG Transplantes. De acordo com ele, embora a necessidade seja sempre superior ao número de órgãos disponíveis, o aumento na doação é fundamental para reduzir filas de espera.
 
Índice alarmante de suicídios motiva série de debates
 
Valorizar a vida é o mote da campanha “Setembro amarelo”, relacionada ao Dia Internacional de Prevenção ao Suicídio, celebrado no dia 10. Durante todo o mês, o prédio da Assembleia Legislativa e do posto de divulgação do Centro de Valorização da Vida (CVV), em Belo Horizonte, serão iluminados de amarelo.
 
“A campanha foi lançada pela Associação Internacional pela Prevenção do Suicídio (IASP, na sigla em inglês), em Londres. No Brasil, acontecerão diversos eventos para abordar o assunto”, afirma o coordenador do posto do CVV na capital, Luiz Augusto.
 
Ele considera importantíssimo que o tema seja tratado abertamente. “A cada momento que passa, o assunto se torna mais conhecido. As pessoas dão sinais de suicídio e alguém tem que estar preparado para identificá-los”, diz.
 
Balanço negativo
 
No ano passado, números divulgados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) fizeram disparar um alerta: cerca de 800 mil pessoas cometem suicídio todos os anos, no mundo, média de uma a cada 40 segundos. Na faixa etária de 15 a 29 anos, é a segunda maior causa de morte no planeta. As que passam dos 70 são as que mais se tornam suicidas.
 
“Percebemos que em datas comemorativas a procura por atendimento aumenta, a exemplo do Dia das Mães, Natal e Dia dos Namorados. No Brasil, temos em torno de 900 mil atendimentos anuais por telefone e, em Minas, cerca de 9 mil. Acreditamos que o apoio emocional e a oportunidade de falar sem ser julgado sejam uma válvula de escape para a pessoa não chegar ao suicídio”, avalia Luiz Augusto.
 
“Temos números razoáveis de transplantes, mas podemos melhorar muito com a solidariedade das pessoas” - Omar Lopes Cançado Júnior - Diretor do MG Transplantes
 
7% das mortes de pacientes de 1 a 19 anos são provocados pelo câncer no Brasil
 
3,7 mil transplantes de órgãos foram realizados no país, até junho
 
45 minutos é o intervalo de mortes por suicídio no país