Três pessoas foram presas suspeitas de maus-tratos a internos de uma clínica de reabilitação localizada em São Joaquim de Bicas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. No local, a Polícia Militar encontrou um revólver e várias munições. A arma, segundo relato dos internos, era usada para ameaçar e coibir.

A PM informou que chegou até a clínica após abordar um rapaz de 22 anos no bairro Primavera. Ele teria sido revistado, mas nada de ilícito foi encontrado. Porém, o homem contou aos militares que fazia tratamento na clínica, mas que temia voltar já que lá sofria agressões físicas e psicológicas.

Ele contou que um dos responsáveis pela casa era pastor e que constantemente atirava nas dependências do imóvel, sendo que um dos tiros teria atingido a parede da recepção. A PM foi até o endereço e constatou a perfuração. Lá, vários internos relataram situações de maus-tratos.

Um deles, que fica no local para tratar o vício de bebidas, contou que no sábado (29) foi agredido com chutes e socos, além de ter tido uma corrente amarrada no pescoço e sido puxado igual a um cachorro. Outro declarou que foi obrigado a capinar o lote do estabelecimento por três dias, sem direito a tomar água. A cena de humilhação teria sido gravada por um dos funcionários da clínica.

Esse internado, que tem problemas mentais e faz uso de medicamento controlado, também disse que o pastor caminhava armado pela casa e que constantemente atirava. Vários ocupantes da clínica foram ouvidos separadamente e todos, segundo a PM, deram a mesma versão da situação.

Além disso, eles também denunciaram que viviam em condições degradantes, sendo que alguns dormiam no chão e não tinham alimentação adequada. Todos falaram, ainda, que pagavam para ficar internados na clínica e a documentação de alguns, inclusive, ficava retida com os responsáveis do estabelecimento. No dia do pagamento, eles eram levados até o banco para realizar o saque, mas o dinheiro ficava com funcionários da casa de reabilitação.

Os internos ainda contaram que uns cuidam dos outros, sendo que o local possui idosos, deficientes físicos e mentais, além de pessoas que fazem tratamento para recuperação do uso de drogas. As vítimas indicaram o cômodo onde a arma seria guardada. Os militares então entraram no local e encontraram o revólver e as munições.

Com a prisão dos três funcionários, que foram levados para a Delegacia de Plantão de Betim, a prefeitura foi notificada e disponibilizou uma assistente social para acompanhar os internos até que a situação da clínica seja normalizada. O caso aconteceu na tarde de domingo (30) e, no mesmo dia, dois funcionários foram ouvidos e liberados. O gerente da clínica de recuperação continua detido nesta segunda-feira (1º) por porte ilegal de arma.