O temor de demissões em massa após a tragédia de Mariana, na região Central, com o rompimento de uma barragem e paralisação das atividades da mineradora Samarco, começa a se tornar realidade. Dezenas de trabalhadores contratados da indústria mecânica, metalúrgica, topografia, consultorias, dentre outras, foram desligados de suas funções. Para piorar, os cortes já ultrapassam os limites do município.

A redução afeta os empregados dos setores terceirizados. Só em Belo Horizonte, em uma indústria com sede próxima ao Barreiro, 40 pessoas estão desempregadas. O setor delas prestava serviços de mecânica para a Samarco.Em Contagem, uma metalúrgica encerrou o contrato de 17 operários.

O prefeito de Mariana, Duarte Júnior, confirmou o quadro. “Houve algumas demissões, principalmente de pessoas que trabalhavam na manutenção de correias, que davam alguma assistência. Tenho amigos que estavam em empresas cujos contratos foram encerrados”.

O prefeito disse que solicitou, nesta semana, um levantamento com o número exato de demissões até o momento. Ele reforçou a responsabilidade da empresa. “O justo seria a manutenção desses empregos. Que a empresa arque com todas as despesas e mantenha todos os empregos, independentemente de serem diretos ou indiretos”.

Desemprego

Estão previstas para esta quarta (25) mais dez demissões, segundo informação do metalúrgico e dirigente da Central Sindical e Popular (CSP) Com Lutas, Geraldo de Araújo Silva. Uma reunião com a empresa, na tentativa de evitar os cortes, está prevista nesta quarta-feira.

Na avaliação de Silva, não bastasse a queda na produção em decorrência da tragédia em Mariana, o momento de crise no país também prejudica. “Estão aproveitando para cortar custos. O preço do minério teve uma baixa muito grande. Além disso, os governos estão paralisados”.

À frente do Sindicato dos Topógrafos, Agrimensores, Niveladores e trabalhadores em Topografia de Minas, Joaquim Soares Lelis informou que 25 pessoas foram desligadas nos últimos dias. A maioria é de auxiliares e niveladores de terreno. “Nenhum topógrafo foi demitido, a classe é muito valorizada. Estamos fazendo que podemos, mas, infelizmente, se o patrão quer mandar embora fica difícil”.

A reportagem entrou em contato com a Samarco, mas, até o fechamento desta edição, não obteve retorno.