Com exceção do sistema de saúde, todos os serviços públicos em Brumadinho estão suspensos nesta segunda-feira (28). O prefeito Avimar de Melo decretou luto no município. “A cidade, começando pela prefeitura, ficará parada. Esperamos que os comerciantes também se solidarizem”. 

Como ocorreu no fim de semana, vários pontos comerciais devem ficar fechados, à exceção de padarias, supermercados e farmácias. Segundo um funcionário da Drogaria Farmelhor, no Centro, desde sexta-feira os clientes sumiram. “Meu medo é virar uma cidade fantasma depois”, afirma o gerente Wenderson Geraldo da Silva. 

Além dos 765 servidores da saúde que já trabalham no município, outros 350 foram disponibilizados por cidades vizinhas. Eles serão os responsáveis por manter os serviços na Unidade de Pronto-Atendimento (UPA), no hospital e na policlínica de Brumadinho. 

Futuro incerto
A história é a mesma tanto para hotéis próximos ao centro, quanto para os mais afastados: turistas estrangeiros e de outros estados demonstram medo e desconfiança e desistem de viagens. Donos e funcionários de pousadas da região temem a queda brusca na taxa de ocupação nas próximas semanas. 

“O único atrativo da cidade é o Inhotim. Ninguém vai querer vir para cá. Quem vai querer visitar um lugar desse, destruído, que não tem nem um restaurante legal? Vai acabar”, prevê Elenita Andrade, que é vigia de uma pousada em São Joaquim de Bicas. Mesmo 7 quilômetros distante do local da tragédia, eles tiveram 100% de cancelamentos. 

Para Paulo Ribas, que trabalha na Estância das Angolas, em Mário Campos, a 9 quilômetros da barragem, a repercussão vai afastar principalmente os estrangeiros, que são 40% do público principal. “Ainda estávamos nos recuperando dos prejuízos que a febre amarela trouxe no ano passado. Acho que vai ser bem pior”, opina.

Solidariedade
A rede de ajuda que se criou após a tragédia fez com que a proprietária da pousada Dona Carmita, na zona rural de Brumadinho, baixasse os preços. “Reduzimos o valor em 40% para receber desabrigados e familiares”, afirma Luiza Rodrigues. 

Já a Verde Villas, que fica na região mais central de Brumadinho, tem sido ocupada por cerca de 30 policiais e bombeiros. Outros hotéis, como o Villa Rica, que viu os hóspedes irem embora em massa na sexta-feira, passou a receber jornalistas.