Até novembro, motoristas que trafegarem pelo Anel Rodoviário de Belo Horizonte precisarão redobrar a atenção. Somente no trecho de cerca de dez quilômetros entre o bairro Califórnia, região Noroeste da cidade, e o entroncamento com a BR-356, no Olhos D’Água (Barreiro), haverá, em média, um radar por quilômetro. O mesmo ocorrerá no sentido contrário.
 
A intensificação na fiscalização eletrônica é resultado da instalação de dez novos aparelhos – ainda desligados –, sob responsabilidade da Via 040, concessionária que assumiu a gestão da BR-040 em Minas. Além desses, nove equipamentos antigos, geridos pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), continuam operando.
 
De acordo com a superintendência regional do órgão no Estado, o contrato dos radares vigora até o fim de novembro. Somente após o prazo de vigência, eles serão desativados e retirados do trecho concedido à iniciativa privada. Até lá, aproximadamente 20 aparelhos multarão quem exceder o limite de velocidade nas duas pistas.
 
Início indefinido
 
Em nota, a Via 040 informou que aguarda autorização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para começar a operar os novos radares, mas não antecipou prazos.
 
“Para entraram em operação, os equipamentos precisam ser testados, aferidos e homologados pela ANTT, processo que se encontra em execução e dentro do cronograma previsto”, diz o texto.
 
Segundo a empresa, a escolha dos locais para instalação dos equipamentos levou em consideração os pontos mais críticos e também passou pelo crivo da agência.
 
“A localização de cada dispositivo de medição de velocidade respeita critérios de segurança, cuja definição leva em conta os trechos da rodovia que requerem mais atenção. Cabe ao poder concedente (ANTT) aprovar a localização de cada equipamento, fiscalizar e autuar os infratores”, afirma a nota.
 
Primeiro passo
 
Para o arquiteto, urbanista e professor de planejamento urbano da Universidade Fumec Reginaldo Magalhães de Almeida, o controle eletrônico de velocidade no Anel Rodoviário é uma medida paliativa, interessante em um primeiro momento, mas não deve ser a única, por ser insuficiente para solucionar o problema da rodovia, conhecida pela ocorrência de graves acidentes.
 
“Enquanto não são adotadas outras medidas de melhoria, como alargar a via ou criar rotas alternativas, os radares são instrumentos que possibilitam uma segurança maior naquela região”, avalia.
 
O professor destaca também que não existe na legislação de trânsito brasileira uma definição de distância mínima entre um aparelho e outro. A escolha é feita com base em estudos do tráfego e na necessidade de cada trecho.
 
Para os motoristas, Almeida acredita que haverá certa dificuldade, no início, em razão de possíveis retenções e congestionamentos provocados pela redução na velocidade. Mas, em contrapartida, o retorno deverá ser observado em curto prazo.
 
“O condutor brasileiro tende a cometer muitos excessos, então, os radares são, sim, uma opção interessante. Os que foram colocados na BR-381, na saída para Vitória, e outros instalados em vias de Belo Horizonte já reduziram o número de acidentes”.