Treinar o cérebro ao longo da vida pode ser um caminho para afastar o risco de demência na velhice. Quanto mais estudamos e desenvolvemos habilidades, mais aumentamos nossa reserva cognitiva – uma espécie de “banco” de conhecimentos e capacidades ao qual recorremos à medida em que ficamos mais velho.

Esse “depósito” ajuda a explicar, por exemplo, o fato de algumas pessoas manterem determinadas aptidões mesmo em idade avançada, quando o cérebro está atrofiado.

O “encolhimento” do órgão, com o passar dos anos, é tão natural quanto o enrugamento da pele e o clareamento dos cabelos, explica o neurologista Fidel Meira, dos hospitais Madre Teresa e Risoleta Tolentino Neves, em Belo Horizonte.

No cérebro, acontece devido à morte das células. Mas quem tem uma reserva cognitiva maior teoricamente consegue, até certo ponto, compensar essa perda.

COM PRAZER

Se a melhor forma de aumentar esse “banco” é trabalhando a mente, que tal fazer isso de forma prazerosa? 

É o que sugere o artista plástico Glauco Moraes. Pós-graduado em psicanálise e diretor da Maison Escola de Arte, ele diz que a correria da vida moderna tem feito a racionalidade, relacionada ao lado esquerdo do cérebro, dominar a maneira de pensar das pessoas. Por isso, uma saída seria exercitar o hemisfério direito, ligado à criatividade. Desenhar é um caminho. Toda pessoa é capaz de fazer isso, e bem, com a técnica correta, que “desperta” esse lado pouco usado do cérebro.

“Além disso, o desenho ativa o lúdico, fortalece os hormônios que combatem o estresse e a falta de concentração”, afirma Glauco. 

O mesmo hemisfério permite dominar melhor as palavras, diz o jornalista e arte terapeuta Celso Falaschi. Ele vai ministrar um curso sobre escrita criativa na Integrarte, em BH, também a partir de exercícios voltados para o hemisfério direito do cérebro. “O mundo sente falta de pessoas criativas, uma das qualidades dos grandes líderes”, diz.