Após início turbulento, com viagens impedidas judicialmente, a Buser, plataforma de transporte intermunicipal e interestadual que promete passagens com preços até 60% mais baixos do que os ônibus convencionais, está ofertando destinos (com saída de BH) para sete cidades brasileiras a R$ 10 até este domingo (31). 

A campanha agressiva faz parte de estratégia de marketing da empresa para atrair novos usuários. De acordo com a Buser, o negócio, criado na capital mineira e com sede em São Paulo, funciona via rateio do custo total de um transporte fretado pelos passageiros que irão viajar.

"A Buser é uma empresa de tecnologia que conecta pessoas que querem viajar para o mesmo destino com empresas de fretamento. Hoje estamos funcionando em sete estados mais o Distrito Federal e pretendemos crescer as cidades atendidas das atuais 20 para 100 até o final do ano", afirmou Marcelo Vasconcellos, um dos sócios da Buser.  

A promoção é válida para novos usuários. Para participar, é necessário cadastrar-se na plataforma, que também está disponível para iOS e Android. 

Há viagens saindo de BH para:

São José dos Campos (SP);
Vila Velha (ES); 
Rio de Janeiro (RJ);
São Paulo (SP);
Ipatinga (MG);
Brasília (DF);
Vitória (ES).

O fisioterapeuta Antero Sobreira, 32, ficou curioso ao ouvir conhecidos contarem sobre suas experiências com a Buser. Decidiu baixar o app e testar. Saiu de Belo Horizonte há duas semanas com destino à capital paulista. Pagou R$10 na promoção para novos usuários. 

"O veículo, totalmente leito, oferecia tudo aquilo que se propunha. Era espaçoso, com motoristas atenciosos, carregador USB em todas as poltronas", relatou. Segundo ele, o receio inicial de experimentar a novidade logo foi embora. "Vemos que uma viagem com ualidade pode existir sem que sejam cobrados valores exorbitantes", finalizou. 

Buser

Primeira viagem é promocional: R$ 10 

Como funciona

A Buser reúne passageiros que querem viajar para um destino em comum. Ao ser atingido o número mínimo de pessoas interessadas, um serviço de ônibus fretado auditado e regulamentado, segundo a plataforma, é contratado. 

Após instalar o app no celular, o passageiro pode "criar" uma viagem ou entrar em um grupo de alguma que já tenha passageiros interessados. Ao atingir o número mínimo de viajantes, o trajeto é confirmado. Se a viagem não acontecer, o usuário recebe o dinheiro de volta.

Dessa forma, de acordo com a Buser, supondo-se que o custo do frete para uma viagem de BH a Vitória (ES) é de R$ 1.500,00 e que o ônibus fretado tem capacidade para 48 pessoas, o valor pago por cada cliente será de R$ 31,25. 

A empresa fatura ao receber uma comissão, paga pela empresa de fretamento contratada, que varia de 5% a 20%. 

"Conectamos pessoas que querem viajar para o mesmo destino com empresas de fretamento executivo. Assim como já aconteceu no transporte privado por aplicativo nas cidades, é hora do transporte intermunicipal mudar para melhor", afirma a empresa, em seu site oficial. 

Polêmica

Criada em junho de 2017, a primeira viagem da empresa quase ocorreu um mês mais tarde, mas foi cancelada in loco, com os passageiros já no ônibus, após uma liminar obtida pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros no Estado de Minas Gerais (Sindpas). O embarque ocorreu em um ponto próximo ao Minas Shopping, mas todos precisaram descer.  

A Buser reembolsou os clientes e comprou passagens para que os usuários seguissem viagem. Em setembro do mesmo ano, a empresa recebeu aportes de três fundos de investimento em startups.  

"Com os recursos do investimento, contratamos o maior especialista em direito regulatório do Brasil para esclarecer a todos sobre a legalidade do nosso modelo de negócio, que consiste, basicamente, em permitir que pessoas com interesse em comum se encontrem, se juntem, e, juntas, contratem um serviço regular, seguro e acima de tudo, a preços justos, através de um rateio", afirmou, no site. 

Em maio de 2018, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (São Paulo) liberou as operações da Buser. A decisão impede multas e bloqueios de viagens por parte da Agência Nacional de Transportes Terrestres, Agência de Transporte do Estado de São Paulo e Departamento de Edificações e Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DEER). 

Na Justiça mineira, de acordo com o Tribunal de Justiça de Minas Gerais, o mandado de segurança impetrado pela empresa contra o DEER-MG foi arquivado definitivamente em outubro de 2018. Na primeira instância, no Fórum Lafayette, não há registro de ações contra a empresa. 

"Ressalto que todas as empresas parceiras da Buser possuem autorização dos órgãos reguladores para prestar serviço de transporte de passageiros. Além disso, possuem seguro para passageiros, motoristas profissionais e veículos vistoriados. Trabalharmos com as melhores empresas de cada região, de forma que damos total segurança para os clientes intermediados pela Buser", afirmou Vasconcellos.

Procurado pela reportagem, o Departamento de Edificações e Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DEER/MG) informou que a plataforma Buser continua "expressamente proibida" em Minas Gerais e que "a fiscalização continuará agindo com todo o rigor para coibir qualquer modalidade de captação de passageiros que fuja aos regulamentos que norteiam o transporte regular concessionado ou por fretamento".

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