A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) estão firmando um acordo que garantirá o repasse de R$ 30 milhões à instituição de ensino para a conclusão das fases 2 e 3 de desenvolvimento da vacina Spintec, que pretende ser o primeiro imunizante totalmente brasileiro contra a Covid-19. Com isso, a previsão é de que a vacina comece a ser produzida em larga escala ainda no primeiro semestre de 2022.

O prefeito Alexandre Kalil fez o anúncio da parceria nesta quarta-feira. A reitora da UFMG, Sandra Regina Goulart Almeida, revelou ao Hoje em Dia que recebeu um telefonema de Kalil, na noite de terça-feira (27), no qual ele confirmou o apoio ao projeto submetido à PBH em busca de aporte para a realização das fases dois e três da Spintec - que, entre as vacinas pesquisadas na universidade, é a que está em fase mais adiantada.

A prefeitura ratificou que vai firmar o convênio com a UFMG, que já está sendo redigido. O valor de R$ 30 milhões tem origem no caixa da PBH e será liberado em parcelas mensais, conforme a evolução das etapas da pesquisa da UFMG, certificou ainda a prefeitura.

Sandra Goulart detalhou que a Spintec está sendo testada em primatas e, com os recursos a serem liberados pela prefeitura, serão desenvolvidas etapas como preparação do registro na Anvisa, do lote piloto da vacina para inoculação em seres humanos, assim como chamamento aos voluntários que vão participar dos testes. Ela lembrou que as fases 2 e 3 têm previsão de serem concluídas até o fim deste ano. “Nos dá alento a assinatura desse convênio com a PBH. Mostra que a parceria entre universidades e poder público tem efetividade”, ressaltou.

Novas negociações

A reitora informou ainda que a UFMG já está em negociação com a Assembleia Legislativa de Minas Gerais, para assegurar, também, o andamento da fase 3 de testes do imunizante, que deverá começar no início de 2022. “A fase 3 deve ser mais ampla, talvez, envolvendo 40 mil pessoas. Será multicêntrica, ocorrendo em vários lugares, como foi feito com a Coronavac. Precisaremos de um valor que poderá ser considerável, mas ainda está sendo calculado”, com o apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, ponderou a reitora.

“Nossa expectativa, se todas as etapas forem tão robustas, é de que em 2022 a Spintec já esteja pronta para ser produzida em larga escala, no final do primeiro semestre. E que a Funed possa produzir e nós possamos distribuir”, adiantou Sandra Goulart.

A reitora lembrou que há poucos dias a UFMG foi apontada como a universidade federal mais bem avaliada do país, pelo Índice Geral de Cursos (IGC) 2019, divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). “Ao mesmo tempo, foi uma semana difícil, porque os cortes orçamentários para a educação vão aumentar mais ainda”, lamentou.

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