A partir deste mês, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) inicia seu primeiro semestre letivo valendo de resolução que proíbe qualquer tipo de trote na recepção de calouros. Ao todo, 2.714 novos estudantes serão resguardados pela medida 06/2014, aprovada em maio por unanimidade pelo Conselho Universitário da instituição.
 
A resolução proíbe qualquer ação que envolva ou incite agressões físicas, psicológicas ou morais e que atrapalhem atividades escolares ou causem prejuízos ao patrimônio do campus. Práticas de coação física ou psicológica, ridicularização dos estudantes e atos de intolerância religiosa, racial ou sexual também foram banidas.
 
O regimento vale não apenas para as dependências da UFMG, como também qualquer lugar em que ocorra algum evento relacionado à comunidade acadêmica.
 
As sanções previstas para estudantes que descumprirem a regra vão da advertência e suspensão até o desligamento da instituição. A penalidade é válida mesmo se houver consentimento dos calouros.
 
 
Resolução objetiva evitar incidente da Faculdade de Direito
 
A resolução 06/2014 entra em vigor um ano e meio após um incidente na Faculdade de Direito da UFMG, no qual uma caloura que teve o corpo pintado de preto foi algemada enquanto segurava uma placa com os dizeres “Caloura Chica da Silva”. No mesmo trote, veteranos foram fotografados fazendo uma saudação nazista. 
 
As imagens foram divulgadas pelo Facebook e incitou a discussão de políticas contra os trotes na universidade. Em novembro do ano passado, o Ministério Público Federal (MPF) promoveu uma audiência pública para discutir medidas para evitar a repetição do episódio.
 
 
UFMG recebe estudante transferido de São Paulo após trote violento
 
Em meio a implantação da medida inédita, a UFMG vai receber um calouro de Medicina que ganhou na Justiça o direito de transferência da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp) para a instituição mineira. 
 
O aluno abandonou a universidade paulista após ser humilhado em uma festa de calouros. Ele foi encontrado inconsciente, seminu, com vômito e urina sobre o corpo, à beira da piscina de um clube local.
 
Após entrar na Justiça e ter seu recurso negado em primeira instância, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região aprovou a transferência do calouro.