Um ano após a Prefeitura de Belo Horizonte considerar as obras dos terminais do Move finalizadas, construções em andamento mostram que falta muito para as estações ficarem prontas. O sistema começou a funcionar em março de 2014, com a estrutura em processo de acabamento. Cinco meses depois, as intervenções foram dadas como concluídas.

No entanto, quem depende diariamente do modal tem muitas reclamações. Acessibilidade precária, falta de informações e demora no deslocamento dos ônibus são as principais queixas.

No terminal Pampulha, passageiros têm apenas uma opção de acesso. A segunda, pela avenida Portugal, está fechada desde março do ano passado, quando a estação foi inaugurada.

A previsão era a de que a segunda entrada, que está obstruída com tapumes, maquinário e materiais de construção, fosse liberada no segundo semestre de 2014. O prazo foi adiado para o segundo semestre deste ano, mas os operários só reiniciaram as obras há menos de um mês.

Pedestres são obrigados a dividir o espaço com os carros. Não há passeios nem passarela para facilitar a travessia, e as catracas continuam inoperantes.

Os operários também trabalham no alargamento da avenida Portugal. “Quem entra no terminal a pé é obrigado a conviver com o risco na travessia. Até a sinalização está ruim”, lamenta a secretária Meire Aparecida Bastos, de 31 anos.

A expectativa da Secretaria Municipal de Obras é a de que a intervenção fique pronta em até 60 dias.

Dentro do terminal Pampulha, a estrutura também está longe do ideal. Com um ano de uso, o piso tátil começa a ser trocado. As paredes das escadarias estão pichadas, com aspecto de abandono. Nem sempre os elevadores e as escadas rolantes estão funcionando.

“Funcionam de forma precária. Quem tem dificuldade para caminhar fica prejudicado, e não temos com quem reclamar”, desabafa a aposentada Ana Lúcia de Souza Cruz, de 72. O problema se repete nos terminais Vilarinho (Venda Nova) e São Gabriel (Nordeste).

Sem lanche

Os usuários também reclamam da falta de bebedouros, lanchonetes e restaurante. A estrutura para alimentação foi prometida na inauguração do Move.

No terminal Pampulha, a estrutura ficou pronta em julho, mas a data da inauguração ainda não foi definida. “Somos obrigados a dividir o espaço com ambulantes, e isso dificulta nossa passagem. O ideal é a abertura da lanchonete, como foi prometido”, opina a funcionária pública Aline Rodrigues, de 36.

Nos terminais Vilarinho e São Gabriel, as lanchonetes não conseguem atender a demanda. “A BHTrans deveria ter planejado um espaço melhor para a população”, disse a enfermeira Maria de Assunção soares, de 52.

A Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap) informa que estão sendo feitos ajustes finais nas obras do sistema Move. Quanto ao restaurante, a BHTrans afirma que está sendo elaborado um edital de licitação para concessão do espaço, além de lojas. Ainda não há data para o lançamento.

Falta de informações prejudica planejamento das viagens

A falta de informações sobre embarque e desembarque incomoda os passageiros. Dentro dos terminais, placas improvisadas são usadas para dar orientações sobre as linhas do Move. Segundo a BHTrans, são transportadas 500 mil pessoas por dia na capital.

O tempo de deslocamento para o Centro reduziu. Mas as longas filas e a média de até 40 minutos de espera para embarcar em uma linha alimentadora, que leva aos bairros, são as principais lamentações. “Não adianta agilidade na chegada ao terminal se ficamos aqui de 20 a 40 minutos esperando um ônibus”, desabafa a pedagoga Maria das Dores Guedes de Sá, de 48 anos.

A economista Fabiane Alvarenga, de 42, tenta planejar as viagens que faz de acordo com o quadro de horários das linhas de ônibus, mas raramente os intervalos são cumpridos. “O quadro de horários nunca é respeitado. Se cobramos isso dos motoristas, eles ignoram”, afirma.

Área Hospitalar

A linha 51, que faz a ligação da Pampulha à região hospitalar, é muito criticada. “É a mais cheia do sistema, mas tem poucos ônibus. É necessário criar uma linha direta para a área hospitalar”, adverte a técnica de enfermagem Jéssica Volponi, de 25 anos.

A Ana Aparecida Fernandes, de 22, também critica a linhas 51. “O ônibus para em todas as estações ao longo da avenida Antônio Carlos, o que acaba tornando a viagem mais cansativa e demorada”.

Por meio de nota, a BHTrans informou que está estudando mediadas para melhorar o atendimento à região hospitalar. A empresa faz um levantamento da movimentação no embarque e desembarque da linha 51. Segundo a BHTrans, a fiscalização do quadro de horários do Move é feita rotineiramente.

O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de BH (Setra) foi insistentemente procurado desde o dia 21 de agosto para falar sobre o assunto, mas, até a noite dessa segunda-feira (31), não deu retorno.

“As obras inacabadas e a falta de ônibus comprometem e o sistema fica ineficiente” (Gisele Rodrigues - psicóloga de 25 anos)

“Não houve planejamento. Faltam lanchonetes e o restaurante virou promessa” (Sara Amorim Silva - estudante de 18 anos)

“Demora maior é no deslocamento para a casa. À noite, a espera é maior” (Sara Mayrink - estudante de 22 anos)

Passageiros enfrentam até 40 minutos de espera para embarque

Um ano depois, Move tem obras inacabadas e causa transtornos a usuários