Para conseguir cumprir a meta de vistoriar todos os 8 milhões de imóveis em Minas, e vencer ao menos algumas batalhas na guerra contra o Aedes aegypti, a força-tarefa formada pelos governos federal, estadual e municipais precisa triplicar o esforço até o fim de fevereiro. Segundo dados do Ministério da Saúde, até o dia 22, apenas 1,2 milhão (15%) foram fiscalizados em 712 municípios mineiros.

A média é de 56,7 mil domicílios e instalações públicas e privadas urbanas visitadas diariamente. Até aqui insuficiente, e o prazo final, que era 31 de janeiro, foi ampliado para fevereiro. Mesmo assim, para alcançar o objetivo, cerca de 198 mil imóveis devem ser inspecionados por dia.

Para o médico César Augusto Barros Vieira, que foi professor do Departamento de Medicina Preventiva e Social da UFMG, a estratégia é acertada. No entanto, há um descompasso entre o planejamento e a realidade.

“Se considerarmos nossa reduzida capacidade de intervenção e resposta, vemos que a meta é ousada e o prazo apertado. Mas temos que insistir nos trabalhos, envolvendo diversos setores da sociedade”.

Em cidades de grande porte, como BH, a dificuldade de “escaneamento” é evidente. Nas três primeiras semanas deste mês, só cerca de 50 mil dos 800 mil imóveis da capital foram vistoriados (6%). Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, há um grupo de monitoramento de áreas mais críticas que aponta prioridades nas vistorias, mas não há uma meta diária.

Um mineiro com dengue a cada dois minutos

Responsabilidades

Secretaria de Estado de Saúde (SES) informou, por meio da assessoria de imprensa, que a coordenação do pente-fino é responsabilidade da União, em articulação com os municípios.

Criado em dezembro, o Comitê Gestor Estadual de Políticas de Enfrentamento à Dengue, Chikungunya e Zika Vírus tem feito reuniões com dirigentes municipais e titulares de outras pastas com o objetivo de alinhar as ações, para que os municípios possam efetivar o combate ao mosquito. Desde novembro de 2015, o governo de Minas liberou R$ 66 milhões para as prefeituras.

A demora para operacionalizar as ações é um dificultador. O Ministério da Saúde, que há dois dias anunciou o apoio do Exército numa tentativa de agilizar o trabalho, informou que essa medida ainda está sendo articulada. A data de início do reforço depende ainda de reunião para definir o número exato de agentes que vão atuar em Minas.

Enquanto isso, a dengue avança no Estado. O número de casos prováveis da doença saltou de 9.953 para 20.859 em apenas uma semana, segundo o último boletim da SES, média de uma ocorrência a cada dois minutos.