A cada hora, pelo menos um taxista é multado na capital mineira. A média foi feita com base em 8.175 infrações anotadas pela BHTrans em 2016 e que não chegaram às mãos dos condutores. Praticamente metade dos veículos permissionários foi autuada no ano passado: dos 7.332, exatos 3.696 receberam alguma notificação de desrespeito às normas de trânsito e às regras que regem a prestação do serviço na cidade. O número, porém, pode ser bem maior.

O levantamento feito pelo Hoje em Dia leva em conta, apenas, os editais publicados no “Diário Oficial do Município” (DOM). Neles, estão incluídos somente taxistas que não foram localizados pelos Correios para receber as multas. Embora seja responsável por flagrar as infrações, a BHTrans não tem o total de notificações na cidade. Além disso, multas aplicadas por agentes da Guarda Municipal, policiais militares e radares não integram a lista.

Semana passada, foi anunciado que taxistas poderão trafegar na pista exclusiva do Move da avenida Antônio Carlos, em caráter experimental

O desrespeito mais comum entre os taxistas (72,6%) é aguardar o passageiro em área de estacionamento proibido, como ocorre, principalmente, próximo ao shopping Pátio Savassi, na avenida do Contorno, região Centro-Sul. Outros locais onde o desrespeito é frequente são a rodoviária e a Praça 7, ambas no hipercentro de BH.

Em segundo lugar está a infração “operar com o veículo em má condição de conservação”, seguida de “deixar de submeter o carro às vistorias agendadas”.

Justificativa

Para o presidente do Sindicato Intermunicipal dos Condutores Autônomos de Veículos Rodoviários (Sincavir), Avelino Moreira, os taxistas cometem tantas infrações porque essa é a forma que se tem para conseguir embarcar passageiros. “O cliente saiu na porta e procurou o táxi. Estou aqui parado para pegar esse cliente, e tem que ter um entendimento que é o seguinte: ‘táxi, cliente’. Você está sendo penalizado por prestar um bom atendimento”.

“O cliente sai na porta e procura táxi. Tem que ter o entendimento: ‘táxi, cliente’. O motorista está sendo punido pelo bom atendimento” (Avelino Moreira, presidente do Sincavir)

Moreira está confiante de que irá conseguir sensibilizar o novo presidente da BHTrans, Célio Freitas Bouzada, para que aumente os pontos de táxis na cidade e que mude a forma de agir dos fiscais. Para ele, os agentes de trânsito multam “excessivamente”.

O trabalho dos taxistas é regido por uma portaria da BHTrans, que estipula os pontos perdidos em cada uma das multas e infrações. Questionada, a BHTrans informou que não tinha o levantamento de quantos permissionários ou motoristas auxiliares perderam a autorização para conduzir os táxis em 2016.

Manobra irregular pode oferecer riscos e transtornos

A principal infração cometida por taxistas na capital, que é aguardar o usuário em área de estacionamento proibido, pode colocar em risco a segurança de quem está no trânsito. A opinião é do especialista em engenharia de tráfego Osias Baptista.

"Isso vai provocar uma perturbação no fluxo de carros, que gera acidentes. Os veículos vão demorar mais tempo para percorrer um determinado trecho. O transito é uma sucessão de engrenagens que devem funcionar juntas”, afirmou.

Um caso específico, que ocorre em frente ao shopping Pátio Savassi, na avenida do Contorno, chama a atenção do engenheiro.

“Na hora que abre o semáforo da Contorno e da Cristóvão Colombo, tem faixas que serão ocupadas por todos os veículos, inclusive os que farão a conversão à direita (onde ficam parados os táxis). Isso provoca uma perturbação no fluxo de tráfego”, avalia.

Já a supervisora do conselho regional do Serviço Social do Transporte/Serviço Social de Aprendizagem em Transporte (Sest/Senat) em Minas Gerais, Eliana Costa, ficou surpresa com a quantidade de multas recebidas pelos taxistas de Belo Horizonte.

“Esse número de notificações nos assusta muito. Realmente, isso nos preocupa. Já passei para os coordenadores das unidades para ficarmos ainda mais próximos dos taxistas”, afirmou.

Qualificação

A entidade organiza treinamentos regulares e gratuitos para profissionais do trânsito, em parceria com a BHTrans e o Sincavir. Segundo Eliana Costa, nas três unidades em Belo Horizonte, são atendidos de 200 a 300 taxistas, por mês, em cursos de qualificação, reciclagem e capacitação para o serviço. São trabalhados conceitos de direção defensiva, legislação e Código de Posturas, dentre outros temas.

“É um profissional que se esforça muito, tem uma carga horária muito grande de trabalho. O que a gente tem tentado é qualificá-lo para que não pratique esse tipo de infração”, conclui.