Os clientes da Unimed-BH não poderão realizar cirurgias eletivas a partir da próxima terça-feira (22). A medida vale até 17 de janeiro de 2021. A suspensão dos procedimentos, divulgada nesse sábado (19), foi necessária diante do crescimento do número de casos da Covid-19 na capital mineira, que superou o pico de julho.

Segundo a Unimed, a medida é válida para procedimentos feitos por clientes do sistema Unimed na rede credenciada. Na rede própria, as mesmas restrições já estão em vigor desde 20 de novembro. Apesar das mudanças, a empresa informou que as cirurgias de urgência e as operações eletivas para tratamento de doenças cardíacas e oncológicas continuam sendo realizadas.

De acordo com Adelino de Melo Freire Júnior, infectologista e diretor técnico-científico do Hospital Felício Rocho, a suspensão dos procedimentos permitirá a priorização dos leitos para pacientes confirmados ou com suspeita da doença causada pelo novo coronavírus. Segundo ele, o momento é de alerta e já há dificuldade em conseguir leitos na rede privada.

"Precisamos reforçar os cuidados e medidas de prevenção e devemos conscientizar a população sobre o impacto que a falta de leitos pode ocasionar para a segurança de cada um e de todos. É preciso fazer a nossa parte para evitar essa possibilidade", declarou o especialista, que é cooperado da Unimed-BH.

Procurada para dar mais detalhes sobre a suspensão temporária, a Unimed informou que os pacientes que tiverem cirurgias eletivas canceladas momentaneamente deverão procurar os próprios hospitais e médicos para alinhamento de remarcação.

Rápido crescimento da epidemia

Em comunicado, a Unimed-BH afirmou que a área de atuação da empresa em Belo Horizonte vive um rápido crescimento do número de casos da Covid-19, com aumento acentuado da demanda por leitos de UTI e unidades de internação.

"Nas últimas semanas diversos estados brasileiros relataram aumento de casos e internações por coronavírus. Na rede própria da Unimed-BH o cenário é o mesmo. A 49ª semana epidemiológica (29/11 a 5/12) registrou 1.510 casos confirmados, o maior número em uma única semana desde o início da pandemia – superando inclusive o pico de julho", informou a empresa.

Pandemia não acabou

A Unimed-BH declarou que a situação crítica foi alcançada após o relaxamento das medidas de restrição para contenção da pandemia. Segundo a cooperativa, eventos sociais e aglomerações são apontadas como principais causas do agravamento e a "perspectiva é que, com as festas de fim de ano, os índices piorem". 

"Ressaltamos que a pandemia não acabou e alertamos para a importância da adoção de iniciativas que contribuam para a contenção da disseminação do vírus. Há ainda uma tendência de agravamento desse cenário em função das festas de fim de ano. Portanto, a sua atuação e comportamento consciente é fundamental para o enfrentamento da doença".