Sair da sala de aula, entender as demandas da comunidade e transformar a sociedade com conhecimento acadêmico. Esses são aprendizados vivenciados por universitários que participam de projetos de extensão. Que o digam 13 alunos dos cursos de Engenharia, Enfermagem e Direito das Faculdades Kennedy, em Belo Horizonte, que passaram as férias em Januária, no Norte do Estado. Lá, atuaram como voluntários no projeto Rondon Minas, iniciativa presente em municípios com baixo índice de desenvolvimento humano (IDH).

Em 15 dias, os estudantes tiveram a missão de tentar solucionar alguns problemas da cidade, levantados a partir de conversas com moradores e o poder público. Eles projetaram uma pista de caminhada e duas praças, uma no Centro e outra em escola dentro de uma comunidade quilombola.

Além disso, estruturaram a reforma da entrada da penitenciária de Januária, prestaram assistência jurídica a presos provisórios, treinaram servidores da saúde e orientaram a distribuição de medicamentos na unidade prisional.

O Rondon Minas ocorre duas vezes ao ano e as inscrições são divulgadas no meio do semestre pelas redes sociais (Rondon Minas e @institutorondonminas)

Teoria na prática

Uma experiência única, afirma Leones Alves, de 40 anos, estudante do 10° período de Engenharia Civil da Kennedy. Para ele, a participação na iniciativa o permitiu “levar a teoria da universidade para o campo”.

“É muito enriquecedor entender como nós, acadêmicos, podemos contribuir e retribuir para a sociedade a partir do que estudamos. Nós vivenciamos as dificuldades e as demandas da população e pensamos em como lidar com elas. O contato com o setor público é um diferencial, principalmente porque, muitas vezes, fazemos estágios em empresas privadas”, afirma o universitário.

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Os universitários também projetaram a reforma na Praça Getúlio Vargas

Situações reais

Mestre em História Social e professor dos cursos de Engenharia da Kennedy, Alisson Cunha acompanhou os alunos durante as duas semanas em Januária. O docente explica que, além de projetos arquite-tônicos e técnicos, os graduandos tiveram que fazer a proposta orçamentária para as soluções propostas. Na faculdade, a atividade é registrada como horas complementares.

“A vivência faz com que eles se deparem com problemas e situações reais e precisem ser protagonistas dessa história”, diz. O professor ainda lembra que os estudantes têm a oportunidade de sair do contexto em que vivem, na capital, e trabalhar com populações vulneráveis, como a carcerária, além de atender aos pedidos da própria comunidade.

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Demandas da cidade foram levantadas em reuniões com moradores e poder público

O projeto

O projeto Rondon Minas é administrado pelo terceiro setor e paga os custos dos universitários voluntários. A seleção é feita a partir das demandas da cidade. “Conversamos com o município para entender o que eles precisam, se é de médicos, enfermeiros, cientistas sociais, engenheiros, e escolhemos as pessoas a partir disso”, conta Matheus Resende, advogado e coordenador da iniciativa.

O gestor destaca que, além dos alunos, os moradores são os grandes beneficiários do projeto. “Há um choque quando um grupo de estudantes da capital vai para o interior e percebe aquela realidade. Eles veem que conseguem participar da evolução estrutural daquele contexto. É um processo longo, não temos um resultado imediato, mas a expectativa é que eles voltem para ver a implementação das mudanças”, afirma. 

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