Dados da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) também apontam um salto de 41% nas hospitalizações motivadas por uso de substâncias psicoativas, na faixa etária de 10 a 14 anos, na última década. Ansiolíticos, sedativos, maconha, alucinógenos, inalantes e tabaco foram causa de 717 internações na rede pública em 2018. 

“Para encarar a nova realidade, em que doenças mais comuns em adultos passaram a se tornar mais frequentes em crianças e adolescentes, os pediatras precisam se atualizar e aprender a enxergar problemas que antes eram mais raros em sua rotina” (Luciana Rodrigues Silva, presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria) 

Cristiane Nogueira, coordenadora da Comissão de Saúde Mental do Conselho Regional de Psicologia de Minas Gerais (CRP-MG), no entanto, pondera que os diagnósticos desse público precisam ser cautelosos. “São seres em pleno vapor de desenvolvimento. Um diagnóstico de transtorno mental e comportamental pode produzir estigmas de doentes, transtornados, podendo reduzi-los a essa patologia”, diz. 

A psiquiatra infantojuvenil Jaqueline Bifano acrescenta que essa é uma geração que não sabe lidar com as emoções. “São filhos de pais que trabalham muito e têm pouco tempo. Além disso, as coisas hoje em dia acontecem muito rápido e crianças e adolescentes não estão acostumados a esperar. Não desenvolveram a paciência e têm dificuldade com a frustração”, explica a especialista.

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Dicas

No entanto, a médica dá dicas para evitar situações extremas. Conforme Jaqueline, os jovens devem ter uma vida saudável desde a infância. “Os pais precisam dar mais atenção, dialogar mais e observar as mudanças de comportamento dos filhos. É preciso dar importância ao que realmente é importante”, alerta.

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