A partir desta quarta-feira (22), quem andar pelas ruas da capital sem máscaras poderá ser abordado e advertido por guardas municipais. A proteção individual passa a ser obrigatória na cidade, conforme decreto publicado pela prefeitura. Estabelecimentos comerciais já podem proibir a entrada de clientes sem o “acessório”, agora fundamental.

fernanda máscara coronavírus
Fernanda e o filho Caio evitam sair de casa na quarentena; quando precisam ir à padaria, por exemplo, só com máscaras e carregando o álcool

O uso também é preconizado no transporte coletivo. Com muitos passageiros, os ônibus são locais potenciais para a propagação de vírus. Porém, de acordo com a BHTrans, neste primeiro momento os usuários sem máscaras não serão barrados no embarque, mas orientados pelos motoristas sobre a importância do EPI. Não há previsão de punição mais severa.

A administração municipal espera ter a colaboração dos moradores. “O uso de máscara é um pedido. A gente não quer ficar brigando, tirando do ônibus, num estado policialesco, mas o que Belo Horizonte vem mostrando é o carinho com o próximo. A máscara é um equipamento importante, orientado pela OMS (Organização Mundial de Saúde)”, frisou o prefeito Alexandre Kalil, em entrevista nesta segunda-feira.

Mas os supermercados, no entanto, não podem deixar pessoas entrarem sem a proteção individual. Quem descumprir a determinação terá o alvará de funcionamento suspenso e até cassado.

“Essa lei vai ser muito importante para nós. Tem muita gente vindo sem proteção alguma. Já perdi a conta de quantas vezes pedi a cliente para se afastar de mim”, conta uma operadora de caixa, de 39 anos, que trabalha em um supermercado em Venda Nova.

À risca

Se depender da funcionária pública Fernanda Merljak, de 43 anos, o cuidado com ela e com os funcionários dos serviços essenciais está garantido. Desde 18 de março em home office, ela só saiu três vezes de casa e, em todas, a prevenção não foi deixada de lado. 

A máscara e o álcool líquido 70% são companheiros inseparáveis. Até o filho de Fernanda, Caio Merljak, de 4 anos, já entende a necessidade. “Estávamos na padaria e ele estendeu as mãos para eu passar o álcool”.

Por outro lado, quem precisa se deslocar de casa para o trabalho teme que a regra não seja seguida por todos. “Com a máscara o risco (de contaminação) é menor, mas muitas pessoas já não estão usando (nos ônibus)”, diz a assistente de vendas Dayane Cristina Fonseca Rodrigues, de 27 anos.

Segundo especialistas, o EPI é uma barreira, evitando a propagação do novo coronavírus por pessoa assintomática. Ainda é preciso outras ações preventivas, alerta Leonardo Weissmann, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI). 

“As máscaras caseiras não protegem o indivíduo que as usam, já que não têm capacidade de filtragem. O uso não exclui a importância do distanciamento físico, evitar tocar os olhos, nariz e boca, além de higienizar frequentemente as mãos com água e sabonete ou álcool em gel 70%”.

Prefeitura considera endurecer fiscalização sobre isolamento

Não se descarta o endurecimento da fiscalização para quem relaxar a quarentena em Belo Horizonte. Um plano está sendo elaborado pela Secretaria Municipal de Segurança e Prevenção, disse o prefeito Alexandre Kalil durante entrevista coletiva na última segunda-feira.

No entanto, qualquer medida nesse sentido só deverá ser colocada em prática após a população vulnerável receber máscaras artesanais que serão entregues pela administração municipal. Esse público, conforme o Executivo, sofre maior risco de contaminação, pela dificuldade de isolamento social. 

A expectativa é a de que a empresa que irá fornecer o equipamento de proteção individual seja escolhida hoje, data estipulada para a abertura das propostas enviadas pelos interessados em participar da seleção. Serão adquiridas 2 milhões de máscaras em caráter de urgência.

Confecção 

Alexandre Kalil espera que a compra seja imediata. Porém, a entrega para moradores de aglomerados e ocupações deve levar mais alguns dias, já que ainda é preciso o prazo para a confecção dos EPIs. A proteção deverá ser reutilizável, produzida em tecido duplo (algodão e tricoline) e anti-alérgico.

A distribuição será feita pelos próprios centros de saúde dos bairros. Mais detalhes não foram divulgados.

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