Imagens registradas durante um voo de helicóptero feito sobre a mina de Gongo Soco, em Barão de Cocais, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, mostram o tamanho das trincas que atingem o talude da cava, que corre o risco de desabar e desencadear o rompimento da barragem Sul Superior, que pode inundar o município e desalojar milhares de pessoas. O vídeo foi feito na última segunda-feira (27) durante visita realizada por deputados da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara dos Deputados, que investiga o rompimento da barragem em Brumadinho, também na Grande BH. 

De acordo com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), o sobrevoo aconteceu na presença do secretário, Germano Vieira, e outros cinco deputados federais. "A Semad vem fazendo as determinações necessárias à Vale e a empresa continua realizando o monitoramento do local. Serão mantidas, até segunda ordem, todas as ações de emergência definidas pela Defesa Civil", completou a pasta. 

No vídeo, é possível ver toda a estrutura do talude que corre risco de cair. Em determinado momento, Vieira sugere que os parlamentares observem "o tamanho das trincas".

Nesta quarta-feira (29), o boletim divulgado no início da tarde pela Agência Nacional de Mineração (ANM) indica que a velocidade da deformação na porção inferior do talude norte chegou a 21 cm por dia, sendo que em alguns pontos isolados essa movimentação chegou a 26,5 cm diários. 

Perigo em barragem

A grande preocupação com o desabamento do talude é de que a vibração causada seja suficiente para romper a barragem de rejeitos Sul Superior da mina, que fica a 1,5 quilômetro (km) da cava. Caso isso ocorra, em cerca de cinco minutos o distrito de Barão de Cocais mais próximo da estrutura pode ser atingido.

Neste cenário, o mar de lama provocaria a devastação de parte do município e de outras duas cidades vizinhas - Santa Bárbara e São Gonçalo do Rio Abaixo. Nas três cidades, a população que precisará ser retirada de casa para não ser levada pela lama ultrapassa 10 mil pessoas. Todos esses municípios já passaram por simulados de evacuação para saber para onde correr em caso de rompimento da barragem.

A Defesa Civil disse que está preparada para agir, caso haja rompimento da barragem Sul Superior, que está no nível 3 desde março – ou seja, com risco iminente de rompimento. A Vale frisou que tanto o talude quanto a barragem são monitorados 24 horas por dia e as previsões são revistas diariamente.

Risco

A barragem Sul Superior teve nível de segurança elevado a 3, que indica risco iminente de ruptura, em 22 de março. No dia 13 deste mês, a Vale informou às autoridades que o talude da mina da represa poderia desmoronar, ocasionando abalo sísmico que poderia fazer com que a Sul Superior se rompesse.

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